Quarta-feira, 4 de Julho de 2012

O Bosão e o "Processo de Palerma"

Que grande dia: descobriram, parece que descobriram, o bosão de Higgs, o meu smarties amarelo… Mesmo que me digam o que eu digo a mim mesmo – o que percebes tu disso? -, fico de cabelos em pé com estas descobertas… É verdade que nestas coisas sou como os miúdos que aprendem a andar, mesmo que não percebam porquê, mesmo que para todos isso seja normal. Acho, e já aqui o disse, que o poder das sociedades actuais está nas universidades, na investigação que aí se processa, no saber como elemento fundamental da evolução. Sei que é um poder pouco visível, quase sempre difuso, estendido no tempo, raramente de efeitos imediatos, mas são estas características que lhe conferem a perenidade das coisas verdadeiras importantes.

 

Depois há os políticos, os políticos desta geração, verdadeiros profissionais da mesma, desde pequenos, desde miúdos... Mesmo sem nunca passarem pelo campus, obtiveram canudos em fins de semana ou num percurso académico que rapidamente evoluiu do Processo de Bolonha para o “Processo de Palerma”, como diz o Ricardo Araújo Pereira. Nem quero saber se os canudos são legais – o que me preocupa é que eles achem que é imprescindível ter um canudo para se ser político profissional. Um canudo de doutor, de engenheiro ou de qualquer outra coisa – que vagamente envolva ciência política, de preferência - desde que enroladinho com uma fita colorida à volta e que lhes encime o curriculum em qualquer site ministerial. Isto só demonstra que não cresceram, que nunca deixaram de ser pequenos, o que só agudiza o ridículo da situação – deles e de três ou quatro universidades, quase todas com nomes patrioticamente pomposos -, e dos quais não haverá, daqui a uns anos, nenhum registo de importância e muito menos de perenidade.

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publicado por Fernando Delgado às 23:57
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