Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2015

Miró

Julgo que foi Shakespeare que disse que «as coisas mais mesquinhas enchem de orgulho os indivíduos baixos». Apetecia-me dizer isto de outra maneira, mas também acho que as "excelências" que consideraram a venda das obras de Miró imprescindível para reduzir a dívida ou o déficit, não merecem tal esforço, mesmo que expresso num palavrão. São medíocres, só isso!

Miro.jpg

«Foi noticiado que 41 dos 85 quadros da coleção Miró que é propriedade, indiretamente, do Estado português, poderão ser classificados. Significa isto que os quadros não poderão deixar o território português sem autorização prévia, o que será a machadada final no leilão de venda dos quadros que o anterior governo quis promover.

A “necessidade” do leilão de venda dos quadros era justificada por razões financeiras, o que sempre me pareceu um fraco argumento. A estimativa de receitas era de 35 milhões de euros. A estes há que retirar os 10% de comissão de leiloeira, sobrando para o Estado 31,5 milhões.

[...]

O que agora há a fazer é juntar os quadros, usar um edifício que já pertença ao Estado, e expor a coleção. Os rendimentos obtidos, com toda a probabilidade, serão superiores aos obtidos com a hipotética venda dos quadros, pois melhorarão a oferta turística da cidade que tenha a sorte de obter a coleção. É que o turismo cultural tem cada vez mais importância, e não perceber isso é um sinal de incompreensão de mundo em que vivemos, e para onde vamos.

[...]»

Jornal SOL, 02.12.2015.

 

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publicado por Fernando Delgado às 22:22
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