Quarta-feira, 14 de Outubro de 2015

Esquecimento

«[...]

     Haviam combinado encontrar-se ali cinco anos antes. Ele não fora. Não tivera coragem para começar uma vida nova. Compreendera depois que não ter ido era uma rendição, uma aceitação de velhice. Guardara o endereço electrónico dela. Escrevera-lhe. Escreveu-lhe meses a fio. Não recebeu resposta alguma. Silêncio. Sim, o silêncio é uma resposta. A única que não se pode contestar.

     Abriu os olhos e deu com uma mulher parada diante dele. Sorria. Não era a mulher por quem esperava. Ou talvez fosse.

     - Conhecemo-nos?

     A mulher voltou a sorrir:

     - Não tenho a certeza - disse, numa voz de seda. - Passei por um rio.»

 

José Eduardo Agualusa. O Livro dos Camaleões. Esquecimento. Quetzal, 1ª ed., pp 30.

 

Tags:
Publicado por Fernando Delgado às 23:41
| Comentar post
Patilhar
Fernando Delgado

Pesquisar

 

Posts recentes

«A Invenção da paisagem»

«BBB»

wildfire

granum

A. Lobo Antunes

«Cebola crua com sal e br...

«mundos mudos» no papalag...

Steinbeck

... fogos gregos

Stefan Zweig

Hermann Hesse

«Mudar de Vida»

Os "interiores"

Função social da propried...

Word Press Photo

Contributos para uma inte...

A terra do Capuchinho Ver...

Contributos para uma inte...

«Quando vier a primavera»

Contributos para uma inte...

Amenidades invernais

Contributos para uma inte...

A oeste nada de novo*

Lili Artic Golden, sem li...

Valha-nos deus

Tags

aprender

canções

esboços

estórias

interiores

leituras

notícias do casino

outros olhares

peanuts

rural

todas as tags

Arquivos