Quinta-feira, 28 de Março de 2019

«A natureza deixa sempre sobras...»

(Um texto infantil?...

Não sei, mas gostei de ler que

A natureza deixa sempre sobras, uma margem de segurança.

O MEC está a ficar maduro ou, como sempre, naif?...)

 

«Entram borboletas nas nossas vidas, joaninhas. Numa estação de serviço o verde duma bomba engana uma abelha. Chegam dois livros sobre as aves do mundo: a falta cada vez maior de insectos é o maior problema de todos.

Nas janelas e nas gavetas da minha casa nascem moscas para me comer o juízo, peixinhos de prata para me comer os livros, traças para me comer as camisolas.

São insectos também. Os insectos não se podem escolher. Os desagradáveis vêm como os giros. Se não houvesse insectos a voar por toda a parte não viriam as andorinhas e os andorinhões. Morreriam de fome. Não se reproduziriam. Entrariam em extinção. Extinguir-se-iam.

Sem as minhocas não crescia quase nada. Os pássaros também comem minhocas mas deixam minhocas que cheguem para fertilizar a terra. Em contrapartida não há andorinhas e andorinhões que cheguem para dar cabo das moscas e dos mosquitos.

A natureza deixa sempre sobras, uma margem de segurança. Nascem sempre mais bichos do que aqueles que podem viver. A morte é a maneira de distribuir o que há para comer.

Há menos andorinhões porque há menos insectos. O glifosato mata passarinhos — só que não se vê. Cada Primavera é menos primaveril por causa das mortes. Pesticida é a morte das ditas pestes, herbicida é a morte das plantas.

Matando insectos e plantas estamos a matar os animais que dependem deles. Conheço uma horta cheia de caracóis e ácaros onde as alfaces e as couves são esburacadas mas deliciosas. Disse-me a dona, Belmira Cosme: “Tem de dar para todos. Senão como é que havia de ser?”»

Miguel Esteves Cardoso. Público, 28.03.2019.

 

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publicado por Fernando Delgado às 23:44
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