Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2018

Tejo nauseabundo

Esta é uma daquelas "guerras" em que os silêncios não contam. Já sabemos que o Sr. Presidente da República não tem afetos pelo Tejo, mas onde andam os deputados do distrito de Castelo Branco e de Portalegre (e de Santarém, e de Lisboa, e...).

Transcrevo texto completo do Blog Vida q.b.

 
 
 «A Espuma nauseabunda do chico-espertismo e do Trumpismo à portuguesa - Sobre a Poluição do Tejo
 
Tenho andado em silêncio à la "Uma Thurman"; tentando controlar a minha fúria antes que diga algo de que me arrependa; não sei se consegui, vós me direis. 

Nasci à beira Tejo. Um Tejo de águas limpas. Ainda que já existissem fábricas de celulose em Vila Velha de Rodão o impacto era, à vista (pelo menos) inexistente, e o Tejo era a nossa praia de sempre. 

Tudo isto acabou. Primeiro foi a selvajaria dos areeiros. A extração de inertes transformou os areais, onde antes estendiamos as toalhas, em pedregais; simultaneamente o leito do rio ia descendo ao ritmo a que os inertes iam sendo retirados tornando os pedregais cada vez mais extensos e o rio cada vez mais estreito. 

Depois veio a privatização do sector da energia electrica, a gestão de caudais nas barragens deixou de se "submeter" ao interesse público para se submeter à lógica mercantilista. De um momento para o outro não se discutia só o problema do caudal que os Espanhóis permitiam que passasse a fronteira mas também o caudal que as barragens da bacia hidrográfica do Tejo permitiam que as atravessasse.

A flutuação de caudais a jusante das Barragens ia de cheio a quase seco em segundos deixando peixe a morrer em seco para gáudio das cegonhas e desovas a secar ao sol, peixe que nunca iria nascer, e de quase seco a cheio a velocidade de corrida de qualquer incauto mais distraído à beira de água que de certo não se livrava de molhar pelo menos os calcanhares enquanto corria no pedregal. 

Entretanto veio a seca. A situação dos caudais agudizou-se. Eram baixos, extremamente baixos, o Tejo atravessava-se a vau sem que a água sequer chegasse ao joelho ou nos ameaçasse de desequilibrio em alguns locais. Não era já um dos três grandes rios ibéricos era sim um ribeiro um pouco maior do que o normal. 

E a água ficou negra. Já vai há mais de 3 ou 4 anos que um velho pescador, hoje já falecido, se entristecia ao ver o "seu" Tejo da cor do petróleo, sem um peixito que fosse a pular nas suas águas. E a espuma, meu Deus, a espuma, acastanhada, nauseabunda. 

O cheiro da água do rio "viajava" quilómetros, cheirava a morte mas as industrias de Vila Velha de Rodão votavam os "pedidos de ajuda" a devaneios de loucos no silêncio da sua "inocência". 

Desde que isto começou mudou o Governo. Deputados da AR, sempre os mesmos, todos os do distrito de Santarém com excepção dos do PS, se apresentaram a "gritar" connosco, ali ao lado do rio, em contexto de Governo PSD/PP e depois de Governo PS; mas nada além de "palavras" de circunstância e de autorizações e licenciamentos para coisas ainda piores vinha de Lisboa. 

Em Lisboa o Tejo é largo e a esmagadora maioria dos cidadãos à muito o considera apenas como uma boa imagem de fundo; não lhes interessa que com o baixo caudal do Tejo vem a salinização do Mar da Palha (para quem não sabe é esse o nome do "Mar" que o estuário do Tejo forma) e que essa salinização tem implicações gravissimas.

O Tejo ali não cheira pior do que cheirava antes, a água não é mais escura do que era antes (e mesmo que seja nem para ela olham), é navegável e atrai os turistas e isso é o que basta. 

Mas as coisas mudaram, muito, a Celtejo deu por findo o "Silêncio dos Inocentes" processando o Arlindo Consolado Marques.

O Arlindo tem sido extraordinário na divulgação de todos os crimes ambientais que vai detetando na bacia hidrográfica do Tejo; o que começou como um levantamento pessoal dos males que ia vendo e que publicava no seu YouTube e Facebook, encontrou eco naqueles que viam e sofriam pelo Tejo e pelas suas vidas despedaçadas em espuma e negridão de morte que não tinham os recursos de equipamentos e destria para publicar os videos mas queriam que as pessoas soubessem o que estava a acontecer.

Esta junção de saber de todos os habitantes e pescadores da beira-rio com literacia tecnológica fez do Arlindo o defensor do Tejo que hoje todos conhecem, mas também o colocou na mira de tentativas de homicidio e de processos judiciais. 

Mas a quebra do silêncio da Celtejo não correu como esperavam. Primeiro porque o Arlindo não se amedrontou nem se politizou, manteve-se fiel a si próprio e ao Tejo. O Tejo merece ser defendido e o Tejo é de todos nós, da nascente à Foz; ao longo das margens do Rio dos concelhos de Mação a Vila Franca de Xira os apoios, de Municipios, Associações, privados ao Arlindo foram-se multiplicando. Segundo porque se deu o descalabro.

Logo passado uma ou duas semanas Abrantes "acorda" com espuma acastanhada que atingia a altura de 1 metro sobre um Tejo negro retinto. O Arlindo chegou rapidamente e as imagens encheram telejornais. A incúria, o compadrio, o deixa andar, chocou Portugal especialmente quando se percebe que os Presidentes dos Municipios de Nisa e Vila Velha de Rodão estão ao lado do(s) poluidor(es) mesmo quando confrontados com as imagens chocantes da espuma em Abrantes e Mação. Do lado oposto os Presidentes dos Municipios de Abrantes e Mação. 

O Ministro do Ambiente, atabalhoa-se, como habitualmente, tropeçando em meias soluções e em chutos para o lado. Parece que a culpa, para o Sr. Ministro é da Natureza, que não teve capacidade de processar os efluentes poluidores; numa primeira fase de "justificação do injustificável" a culpa não é do facto de com efeitos a Maio de 2016 a APA ter licenciado a Celtejo a aumentar a poluição que deitava ao rio até 18 de dezembro de 2018. 

Não interessava nada que nessa altura a seca já estava a iniciar, que os baixos caudais que atravessavam a fronteira aliados ao nível de poluição que estava já autorizado (e que se disse na altura já estar a ser excedido impunemente) estavam já havia muito a causar problemas a quem vivia do Rio, há que autorizar o aumento até porque a actividade piscatória dá poucas receitas à Administração Local e Central e não tem tanta influência nem poder. 

Os meus leitores atentaram à data de 18 de dezembro de 2018 certo? Provavelmente estão a pensar o mesmo que eu. A Celtejo contou com a lentidão da Justiça. Processa o Arlindo agora, até que os Tribunais avancem, entre férias judiciais falta de pessoal e pilhas de processos, o caso chega a Tribunal já os níveis de poluição deles está mais baixo, o Arlindo perde pois não consegue provar que a poluição entre 2010/11 (sim leram bem) e 2018 veio da "inocente" Celtejo e, uma vez condenado este "ativista", servirá de aviso, nunca mais ninguém terá coragem de enfrentar os "Donos Disto Tudo". 

Duas notas: 

- O efeito inesperado de um processo desenhado para silênciar para sempre a Sociedade Civil foi juntar mais gente à "revolta" e obrigar o Ministério do Ambiente e a APA a agir como nunca agiram. Como? Pela primeira vez mergulhadores foram fazer levantamento das lamas à saida do tubo de descarga; Pela primeira vez os serviços da APA estão a tirar amostras diárias e o roubo de amostras junto à saída do tubo de descarga da Celtejo e a necessidade da Policia estar no local (e mesmo assim terem desaparecido parte das amostras) apenas faz aumentar ainda mais a convição geral de que algo está muito mal; 

- O uso da expressão "Donos Disto Tudo" é propositada e não diz apenas respeito ao Tejo. As celuloses encheram o país de eucalipto. Eucalipto que ardeu e expandiu o fogo através das suas cascas e das suas folhas em chama ajudando à rapida propagação dos fogos deste Verão. O eucalipto que seca os solos, sendo mesmo proibido plantá-lo junto a nascentes de água porque as seca (será que isto é fiscalizado?...Sim,pois...), vai tomando conta do país porque é o que interessa às Celuloses. As Celuloses "mandam" em terra e na água neste Jardim à Beira Mar plantado. 

O que me enfurece são várias coisas:

1. Apesar da gravidade da Poluição do Tejo já ter vários anos, da luta das populações ribeirinhas pelo Tejo ter anos parece que só agora é que aconteceu;

2. Que a APA e o Ministério do Ambiente andam à anos supostamente a tirar amostras cujos resultados foram sempre inócuos (nem me perguntem onde é que tiravam as amostras porque isso apenas me enfurece ainda mais, apenas uma nota, nem sempre era no Tejo). Isto quando começou a APA atirar amostras porque antes valiam as tiradas pelos Poluidores autorizados;

3. Que a Celtejo continua a alegar que nada tem a ver com a poluição vísivel no Tejo. Embora isso já seja uma evolução pois no processo contra o Arlindo afirma que nem poluidora é, o que é estranho dado que se não o fosse não necessitava de Licenciamento da APA para o ser; 

4. Que o Ministro do Ambiente é um aspirante a Donald Trump. Desde o transporte de água por comboio do Entroncamento para a zona de Viseu (dois problemas: O Entroncamento é na bacia hidrográfica do Tejo e não é boa ideia retirar água de onde ela já escasseia; vagões tanque de transporte de água existem apenas num país da Europa, que tem bitola europeia, mesmo que nos emprestassem os vagões teriam de chegar cá e ser ajustados para circular nas nossa bitola ibérica); a o "problema" é da água "do Tejo que nos últimos tempos parece ter saturado”; a o problema é da “natureza não está a conseguir depurar a quantidade de matéria orgânica que está a aparecer e se transforma em espuma quando passa em Abrantes”; tudo seria hilariante se não fosse tão triste. 

Remato ainda com outra afirmação do Sr. Ministro a de que “Estamos a fazer essas mesmas recolhas com a certeza de que o problema que temos à nossa frente é um problema com uma dimensão que não resulta certamente da descarga A ou da descarga B, o que não quer dizer que elas não possam ter existido” numa afirmação digna de La Palice; a culpa é de muitas descargas, anos delas, mas da mesma "fonte"; "Fonte" que tem passado incólume, intocada e intocável, sob a "proteção" de alguma Administração Local e da Administração Central, a "proteção" desta última eu até poderia considerar "inocente" incúria não fosse durar há tantos anos e atravessar Governos de diferentes quadrantes políticos.»

 

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publicado por Fernando Delgado às 23:09
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Segunda-feira, 5 de Fevereiro de 2018

Lobbies

Tenho andado distraído ou o sr. Presidente da República ainda não disse uma palavra sobre a poluição no Tejo?

Admitindo a distração, procurei no sr. Google, mas nada, não encontrei uma palavra! Aparentemente S. Exª ainda não teve oportunidade para falar do assunto ou não o considera importante. Devo dizer que não esperava que S. Exª tomasse um banho nas Portas de Ródão (são outros tempos e a saúde está acima de tudo!), mas estava à espera de uma visita com passeio de barco no Tejo e umas dezenas de selfies - afinal há razões, muitas razões, para eu pensar que S. Exª não perde uma oportunidade de estar perto da notícia...

Nada!

Curiosamente (e voltei a procurar no sr. Google) também o Correio da Manhã, sempre ávido de escândalos, parece um crocodilo sem dentes: três ou quatro notícias que parecem retiradas de qualquer diário diocesano de província.

Ah, os lobbies...

 

P.S. Em vez de uma eventual multa ambiental, que não resolve coisa nenhuma, proponho que o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão (que silêncio, sr. presidente!) convide o CEO do grupo que detém a Celtejo para viver naquela vila durante um ano. E não estou a ser irónico, sr. presidente, já viu a importância de ter um CEO na sua terra?

 

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publicado por Fernando Delgado às 21:31
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Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2018

Bocejos

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Bocejos irritados entre zapping's:

1. E se a Celtejo, ali para os lados de Vila Velha de Ródão, fechasse as portas? Qual o custo? E qual o beneficio? Iamos ter saudade do odor a ovos podres? E do sabor do peixe pedrado?

2. E se a Comissão Europeia estabelecesse que o crescimento dos países membros deveria tender para zero? Um bom desempenho da economia mede-se pela taxa de crescimento económico? O crescimento não tem limites? Qual a implicação nos recursos? A noção ecocrescimento salvaguarda o necessário crescimento económico dos países sub-desenvolvidos ou em desenvolvimento evitando a sua estagnação e preservando os recursos?

3. A justiça de pelourinho é justiça? E se os media fossem obrigados a divulgar o resultado judicial das "notícias-escândalos" na mesma proporção e com a mesma visibilidade com que os anunciam? A Celtejo teria que produzir mais papel? E os telejornais teriam a duração dos programas de futebol?

4. As declarações de alguém no meio de uma catástrofe são racionais? São importantes? O individual e o privado têm interesse público? A exposição pública das desgraças alheias é informação? A ética e a moral são miscíveis?

5. Se um jogo de futebol dura 90 minutos, há alguma razão para os comentários se estenderem por 90 horas? E estes comentários são autópsias de faca na mão e sangue espalhado sobre a mesa porque o espetáculo acabou? Ou porque morreu?

6. Muito importante: amanhã não chove! Porra, porque não chove?

 

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publicado por Fernando Delgado às 22:22
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Terça-feira, 2 de Janeiro de 2018

O envelhecimento é a acumulação de erros

a ave sobrevoou as águas calmas e de um ponto indecifrável cresceram círculos concêntricos que refletiam todo o explendor de cores vivas das asas do bico alongado da cauda em leque do universo de penas floridas e era o começo do dia do dia tão igual como desigual de tudo o que não vê não se toca cresce aparece e desaparece e aparentemente (não) e de certeza existe salta vive a partir de um ponto indecifrável

 

«Aurora era uma deusa grega da madrugada e de acordo com a mitologia apaixonou-se por um ser humano, um mortal chamado Titão. Ela queria que o amante mortal também fosse imortal. Então foi ter com Zeus, o pai dos deuses, e disse:  «Por favor, dá imortalidade ao meu amante.» Então Zeus disse: «Ok, ok, vou tornar o teu amante imortal.» Mas ela cometeu um erro enorme. Ao pedir a imortalidade, esqueceu-se de pedir a juventude eterna. Como consequência, o amante ficou cada vez mais velho, mais velho e mais velho sem nunca morrer.Quando tivermos a fonte da juventude, temos de garantir que, não só vamos viver para sempre, mas temos de aproveitar. Temos de viver para sempre num corpo que seja útil. E é aí que entra a loja do corpo humano...»

Michio Kaku – Físico. City College of New York. 10 segundos para o futuro – 2077. RTP1, 02.01.2018.

 

não era uma ave era um pássaro assustado que ia caindo na água e também não era um ponto indecifrável era o local exato em que o pássaro com medo defecou

 

«O envelhecimento é a acumulação de erros. Erros genéticos, erros celulares, erros moleculares. Mas erros do nosso corpo. Agora sabemos que sim, há mecanismos de correção dos erros, mas eventualmente também eles se desgastam. É por isso que morremos.»

Michio Kaku – Físico. City College of New York.  10 segundos para o futuro – 2077. RTP1, 02.01.2018.

 

e o pássaro voltou e poisou na beira do lago parecia cansado e assim de perto chamei-lhe ave e ele fugiu reconstruindo-se das cores vivas das asas do bico alongado da cauda em leque do universo de penas floridas sobre as águas

 


publicado por Fernando Delgado às 23:41
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Domingo, 10 de Dezembro de 2017

Ajustando as velas

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(Ambrósio, comi os FR, já só resta um... Ah, mas que chapéu bonito fizeste do lixo. Bravo, Ambrósio!)

 

Há coisas possíveis que parecem intangíveis e é estranho que assim seja!

Vistas deste lado (do lado racional?...) estas coisas possíveis até parecem simples, apesar de estupidamente informes, meio escondidas num canto da memória, prisioneiras de tudo e de nada, do todo e do vazio, mas espreitando de vez em quando num pensamento efémero.

Inscreveram o pessimismo no manual de boas maneiras, mas é só um manual cheio de regras inúteis... E como é estranho um manual de pessimismo! E como é trágico utilizar este manual de bolso...

E a realidade?

E se de repente estas coisas possíveis estivessem ao alcance da mão? Ah, batia-lhes com força, porque não há nada mais injusto que uma coisa possível que teima em olhar a realidade com desdém, como se o seu pequeno mundo invisível fosse todo o universo.

A realidade é uma chatice?

Este mundo é complexo, mas bastam alguns gestos para se ir tornando um pouco mais acolhedor, um pouco menos sombrio. Não tenho a certeza que estes gestos sejam a expressão exata das coisas possíveis e tangíveis, mas também não interessa – o pensamento sempre foi uma forma de conhecer e moldar a realidade.

("O pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas" William George Ward - Teólogo, séc. XIX)

Inquieta-me a luz trémula da vela para além da porta aberta. É algo intangível, uma falsa entrada!

 

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publicado por Fernando Delgado às 00:15
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Terça-feira, 5 de Dezembro de 2017

Contrastes

«DISPARIDADE DA RIQUEZA DE SILICON VALLEY PODE TRANSFORMAR SÃO FRANCISCO NUMA CIDADE FANTASMA

No final dos anos 90, ganhava €11/hora, vivia num apartamento com dois quartos e a vida era boa. Podia viajar de vez em quando, comprar jantar e bebidas e ir às compras. Não era rica, mas podia viver com o meu salário porque a minha renda era de €445 por mês”.

 

As palavras pertencem a Mikki Kendall, redactora do Quartz e residente em São Francisco. Segundo Kendall, os dias bons já passaram. Hoje, a renda média de um apartamento de um quarto em São Francisco é de €3.185, segundo o site Zumper, e a de dois quartos é de €4.320. No entanto, o salário mínimo continua nos €11/hora.

O aumento brutal do nível de vida da Bay Area, a Área Metropolitana de São Francisco, está relacionado com Silicon Valley, o principal centro de inovação e tecnologia do mundo e onde estão instaladas empresas como a Apple, Google, Facebook, Netflix, Intel, eBay, HP ou Pixar.

O problema, explica Kendall, não são os técnicos especializados e bem pagos, mas sim os outros trabalhadores. Onde irão morar os representantes do serviço ao cliente, os trabalhadores que tratam da manutenção dos edifícios, motoristas e outros profissionais que ajudam a indústria a crescer?

Segundo Kendall, mesmo que Sillicon Valley não queira saber do nível de vida de São Francisco – e não quer – , ela será confrontada com o problema. A não ser que queira passar a ser uma cidade fantasma.

“A estagnação dos salários é um problema em todo o lado. E as uniões, que normalmente lutam contra o aumento do custo de vida, estão continuamente sob ataque do sector da tecnologia”, segundo Kendall.

Caso esta tendência continue, de pouco valem salários elevados: os trabalhadores bem pagos do sector da tecnologia vão viver numa cidade sem serviços, uma vez que os custos de transporte ou rendas vão afastar as pessoas que providenciam esses serviços. “Uma cidade habitada exclusivamente por milionários não é funcional”, explica Kendall.

E se São Francisco quer evitar este destino tem de admitir que o problema da disparidade da riqueza vai acabar, eventualmente, por destruir todas as empresas de tecnologia – grandes e pequenas – e o próprio Vale do Silício.»

Para ler no Greensavers

 

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Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017

Religiões

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«O padre diz 'Levantem os vossos corações'. Ele não diz 'Levantem os vossos telemóveis para tirar fotografias (...). A missa não é um espetáculo!...»

- Papa Francisco, 08.11.2017

(cartoon da net)

 

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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017

«Ninguém desce vivo de uma cruz»

Um novo livro de Lobo Antunes (Até Que as Pedras se Tornem Mais Leves Que a Água) é um acontecimento!..., mas a entrevista que normalmente "acompanha" cada livro é em si mesma o acontecimento do acontecimento.

As palavras ditas e as palavras escritas encontram-se na esquina da rua. Nunca estiveram tão próximas.

Para ver e rever na RTP3 (Grande Entrevista, 08.11.2017).

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Segunda-feira, 9 de Outubro de 2017

Domesticação...

... dizem os entendidos que o pombo é um animal sinantrópico! Cá para mim é apenas mais um fã da sociedade de consumo...

(... ou como os instintos primários - a fome, o sexo, ... - são tão distintos dos interesses mediáticos: enquanto uma multidão procura de olhos esbugalhados a onda gigante do canhão da Nazaré, o pombo aproveita a distração e, desde passas de figo a amendoins e nozes, tudo é apreciado com aparente prazer gastronómico. Nem as guloseimas embaladas escapam, o que só mostra uma sinantropia de elevado nível! ... Entretanto a onda nem sequer emergiu do mar preguiçoso...)

 

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Domingo, 23 de Abril de 2017

J. Fanha

A força das palavras ditas!

 

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Terça-feira, 21 de Março de 2017

«o pregador de verdades dele»

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«O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, acusou o Sul da Europa de desperdício de dinheiro em "copos e mulheres", durante a crise que conduziu aos resgate financeiro de países como Portugal, Grécia ou Espanha».

- notícia do dia -

 

... meu caro Dijsselbloem (que raio de nome te deram...), hoje é o dia mundial da poesia e deixo-te aqui um poema de um tal Alberto Caeiro (não sabes quem é, pois não?!...) para que, na próxima vez que falares dos pobres do sul, aos "copos" e às "mulheres" acrescentes a poesia - nunca perceberás porquê, é um segredo só nosso!...

 

«Ontem o pregador de verdades dele
Falou outra vez comigo.
Falou do sofrimento das classes que trabalham
(Não do das pessoas que sofrem, que é afinal quem sofre).
Falou da injustiça de uns terem dinheiro,
E de outros terem fome, que não sei se é fome de comer,
Ou se é só fome da sobremesa alheia.
Falou de tudo quanto pudesse fazê-lo zangar-se.
 
Que feliz deve ser quem pode pensar na infelicidade dos outros!
Que estúpido se não sabe que a infelicidade dos outros é deles.
E não se cura de fora,
Porque sofrer não é ter falta de tinta
Ou o caixote não ter aros de ferro!
 
Haver injustiça é como haver morte.
Eu nunca daria um passo para alterar
Aquilo a que chamam a injustiça do mundo.
Mil passos que desse para isso
Eram só mil passos.
Aceito a injustiça como aceito uma pedra não ser redonda,
E um sobreiro não ter nascido pinheiro ou carvalho.
 
Cortei a laranja em duas, e as duas partes não podiam ficar iguais.
Para qual fui injusto — eu, que as vou comer a ambas?»

 

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa), Poemas Inconjuntos. Ontem o pregador de verdades dele.

 
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Domingo, 19 de Fevereiro de 2017

Belos dias

Entre um twit e uma conferência de imprensa (o twit sobre o que não disse na conferência de imprensa e a conferência de imprensa como ponto de partida para um novo twit...), onde tudo o que diz e escreve é absurdo, Trump vai compondo uma figura caricata que faz as delícias de qualquer humorista - há uns programas de tv's americanas, na SICN, que vale a pena ver...

Cavaco publicou um livro, um livro escrito por ele, com muitas páginas (consta que José Rodrigues dos Santos decidiu adiar a publicação de um novo volume para lhe acrescentar mais umas centenas de páginas...) Quem bom, que felizes estamos!

Marcelo já chegou à dezena de milhões de selfies. Parece que já não há nenhum português sem uma foto, emoldurada na sala, com o presidente. Do sofá desbotado, toda a família olha enlevada para as molduras (sim, no plural - uma com o avô, outra com a mãe e ainda outra com a filha - apesar das famílias portuguesas serem cada vez mais pequenas) mesmo ao lado da televisão, enquanto o Goucha, a cores e ao vivo, parece embrulhado num casaco com um padrão de colchão primaveril...

Centeno tem medo de dizer que mentiu! Não há ninguém que lhe diga que a mentira em política é uma virtude?

Que merda de mundo este!

 

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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

Talamou

Do Papalagui, à atenção da "nossa faladura" no Baságueda

«O gajo da américa é um pouco talamou»

 

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publicado por Fernando Delgado às 00:34
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Sábado, 17 de Dezembro de 2016

«A realidade é uma opinião»

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[...] No fundo passamos a vida, em Portugal, a discutir a gerrilha orçamental..., eu acho que era importante começar-mos a discutir a paisagem mais vasta... A questão fundamental é esta: a UE e a Zona Euro, como estão, têm alguma chance de chegarem incólumes até final de 2017? ... E esta é uma questão central, e esta é uma quetão política e é uma questão financeira, mas também uma questão de saber como é que nós podemos começar a falar francamente..., é muito curioso..., nós criticamos os populistas - o populismo define-se fundamentalmente por uma tese: os populistas são aqueles que acreditam que a realidade é uma opinião. E, portanto, as opiniões podem ser mudadas... O Sr. Trump considera que as alterações climáticas não existem, porquê?, porque são uma opinião! [...]»

Viriato Soromenho-Marques, O Princípio da Incerteza, RTP 3, 17.12.2016.

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publicado por Fernando Delgado às 23:32
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Terça-feira, 22 de Novembro de 2016

«Human»

Sobre este filme-documentário, a RTP descreve-o como "uma experiência sensível sobre a comunidade global mas também sobre o indivíduo. Por guerras, desigualdades, discriminações, mas também amor, família, Human confronta-nos com a realidade e a diversidade da nossa condição humana. Depoimentos mostram a empatia e a solidariedade de que somos capazes."

Como sempre, falta ali muita coisa, mas vale a pena ver (também disponível no youtube).

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«Quando não temos mais que comer, vamos procurar grãos de arroz nos buracos dos ratos. Quando encontramos alguns, colocamos num cesto e voltamos para casa. No dia seguinte cozinhamos o arroz e vamos procurar mais. Deus tem o coração bom. Ele protege-nos e dá-nos tudo. Se ele me vê a procurar nos buracos, acabo sempre por achar grãos»

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«A rua é uma escola muito dura...»

«A pobreza é um estado no qual me encontro actualmente. Mas pelo facto de viver assim diariamente, não chego a gostar, mas habituo-me, simplesmente. A pobreza é um estado duradouro. E para muitos. Para gente demais!»

 «Eu gostava de perguntar que diabo faço aqui. Porque não posso estar aí. Vamos trocar de lugar. Vamos! Você vem para aqui e vive como eu, e eu vou para aí e vivo como você. A gente se encontra no meio, no Equador e joga uma partida de golfe.»

 «Posso fazer muitas coisas. Sem pressa.»

«Sei que não devia sorrir..., mas sinto-me muito bem, livre!»

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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2016

MEC sobre Trump

Uma forma diferente de interpretar a realidade (Não é Trump que tem de dar uma reviravolta. Somos nós. Trump ganhou porque foi eleito. Nós perdemos porque fomos derrotados pelos nossos próprios preconceitos e pelo excesso de zelo com que perseguimos a vitória de Hillary Clinton):

 

«Trump ganhou. Nós perdemos. Por nós quero eu dizer os meios de comunicação social dos EUA e da Europa. Segundo as histórias que nós contámos aos leitores e uns aos outros o que acaba de acontecer era impossível.

As nossas sondagens e opiniões – incluindo as minhas – não só se enganaram redondamente como contribuiram para criar um perigoso unanimismo que fez correr uma cortina de fumo digno dos propagandistas oficiais dos estados totalitários.

Eu leio todas as semanas duas revistas conservadoras americanas – The Weekly Standard e National Review. Leio todos os dias o igualmente pro-Republicano Wall Street Journal. Em nenhum deles fui avisado que Trump poderia ganhar.

Sinto-me vítima de uma conspiração – não da parte de Trump mas da parte dos media. Aquilo que aconteceu não foi a cobertura das eleições americanas, mas antes uma vasta campanha publicitária a favor de Hillary Clinton onde até revistas apolíticas como a Variety participaram.

Donald Trump foi sujeito à maior e mais violenta campanha de ataques pessoais que alguma vez vi na minha vida. Todos as principais publicações alinharam entusiasticamente. Sem recorrer a sites de extrema-direita o único site que defendia Trump foi o extraordinário Drudge Report. Foi só através dele que comecei a achar – e aqui vim dizer – que o eleitorado reage sempre mal às ordens paternalistas dadas por uma unanimidade de comentadores, jornalistas e celebridades.

A eleição de Donald Trump foi um triunfo da democracia e uma derrota profunda dos meios de comunicaçã o social.

Claro que Trump não é nenhum outsider. É um bilionário que sempre fez parte da ordem estabelecida, da elite que dá as ordens e manda na economia dos EUA. É um amigo de Hillary e Bill Clinton que só se tornou ex-amigo porque lhe deu na gana ser presidente dos EUA.

Agora é. Conseguiu o que queria. Há-de voltar as costas ao eleitorado que o elegeu logo que perceba que a única coisa que esse eleitorado tinha para lhe dar já foi dado: os votos de que ele precisava para ser eleito.

Já fez o elogio de Hillary Clinton. Já disse que vai representar todos os americanos. Vai-se tornar lentamente um republicano moderado e liberal. Os oportunistas têm sempre essa vantagem da metamorfose.

Trump ganhou contra grande parte do Partido Republicano mas foi graças a ele que o Partido Republicano manteve a maioria no Senado e no Congresso. Se Trump fosse o populista aventureiro que finge ser aproveitaria para minar o sistema político vigente, tirando partido do poder político pessoal que agora tem.

Mas não fará nada disso. O Partido Republicano tem agora tudo na mão.

Trump presidirá à complacência do poder político instalado, do poder recuperado das mãos de Obama. O velho sistema político será reforçado e os beneficiários serão os de sempre: os que menos precisam.

E os media? Que vamos nós fazer? Continuar em campanha? Continuar a enganarmo-nos e a enganar quem nos lê?

Mostrarmo-nos surpreendidos e atónitos não chega. Só revela o mau trabalho que fizemos. Dizer que foi um choque, que ninguém estava à espera só aponta para o mundo ilusório onde reside a nossa própria zona de conforto.

Não é Trump que tem de dar uma reviravolta. Somos nós. Trump ganhou porque foi eleito. Nós perdemos porque fomos derrotados pelos nossos próprios preconceitos e pelo excesso de zelo com que perseguimos a vitória de Hillary Clinton.

É um dia feliz para Donald Trump e para a maioria que o elegeu. Para nós é um dia triste e, do ponto de vista profissional, pelo menos para mim, vergonhoso.»

Miguel Esteves Cardoso. É amarga, mas justa, a lição que Donald Trump acabou de nos dar. Público, 09.11.2016.

 

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publicado por Fernando Delgado às 21:56
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2016

À espera de Godot

IMG_4363.jpg

Hillary ou Trump? E eu aqui à espera...

 

Será que quero mesmo esperar para saber ou apenas mergulhar neste vazio, neste esperar por nada, sendo este nada - as  torrentes de palavras na televisão - tudo o que existe?

 

Como na história de Samuel Beckett, Godot nunca mais chega...

Que se lixe!

 

Depois há a rocha e a planta em flor (na Foz do Cobrão, uma espécie de derrame apocalíptico de pedra sobre o rio ocreza...) que serve para dar sentido ao medo que nos estremece quando não dominamos o sentido das coisas.

 

Esta rocha e a planta florida são tudo - o céu é apenas uma encenação do vazio, mesmo que tentemos dar-lhe espaço e tempo e vida, e todas aquelas coisas que desconhecemos e imaginamos como reais e que ingloriamente insistimos em compreender.

 

E Godot nunca mais chega!...

Hillary ou Trump?

 

(Foz do Cobrão - Canon EOS 400D; Sigma 18-200 mm; 1/500 s; f/16; ISO 320; 59 mm)

 


publicado por Fernando Delgado às 01:05
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Domingo, 9 de Outubro de 2016

De Niro, sem maquilhagem

 

«I mean he’s so blatantly stupid. He’s a punk, he’s a dog, he’s a pig, he’s a con, a bullshit artist, a mutt who doesn’t know what he’s talking about, doesn’t do his homework, doesn’t care, thinks he’s gaming society, doesn’t pay his taxes.

He’s an idiot.

Colin Powell said it best: He’s a national disaster. He’s an embarrassment to this country.

It makes me so angry that this country has gotten to this point that this fool, this bozo, has wound up where he has. He talks how he wants to punch people in the face?

Well, I’d like to punch him in the face. This is somebody that we want for president? I don’t think so.

What I care about is the direction of this country, and what I’m very, very worried about is that it might go in the wrong direction with someone like Donald Trump. If you care about your future, vote for it.»

- Robert De Niro -

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publicado por Fernando Delgado às 22:06
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Quinta-feira, 6 de Outubro de 2016

Guterres

Orgulhoso de Guterres (há pouquíssimas personalidades cujas qualidades públicas me fazem sentir orgulhoso de ser português...), nada como algum silêncio para ouvir Maria João Pires interpretando Chopin (sem qualquer associação racional e apenas como reacção a uma espécie de ladainha enfadonha nas televisões sobre esta eleição para secretário-geral da ONU).

Diz-me a "vida" que só somos reconhecidos como "bons" ("excepcional", diz o presidente, rarefazendo o universo de hipóteses...) em duas ocasiões: na morte, por deferência dos amigos, ou quando fazemos algo de transcendente, por interferência dos media! É óbvio que só a primeira hipótese está ao alcance de todos...

 

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publicado por Fernando Delgado às 23:50
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Terça-feira, 12 de Julho de 2016

(Gente) sinistro(a)

O camarada Durão chegou ao topo!

Cervantes, acho que era Cervantes, dizia que o importante não era a partida ou a chegada, mas o caminho… Como estava enganado o pobre do Cervantes – o caminho é uma farsa, o importante é mesmo o ponto de partida e de chegada, sobretudo de chegada.

É um caminho tortuoso, sempre em frente, por cima de quem aparece? Pois, que seja – este mundo é assim mesmo. Só há um objectivo: chegar o mais alto possível (Deus que se cuide!). Só há um método: ambição sem limites (D. Sebastião, chora de raiva!)

Parabéns, camarada Durão. Que as insónias te sejam leves!

D_Barroso_inimigopublico.jpeD_Barroso_MRPP.jpecimeira_açores.jpe

D_Barroso_MRPP.jpeD_Barroso_UE.jpgGoldman-Sachs_o polvo.jpg

 

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publicado por Fernando Delgado às 23:40
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