Sábado, 15 de Maio de 2010

Regressos

IMG_3095.jpg

Casa abandonada à entrada de Castelo Branco

(Canon EOS 400D; Sigma 18-200 mm; 1/160 s; f/10; 24 mm; ISO 400)

 

A RTP1 acaba de passar o documentário Regresso ao Campo*, abordando a questão dos novos rurais e da sua crescente presença no interior profundo.

 

Independentemente da forma como no documentário se faz a abordagem a esta nova realidade, importa sobretudo reter o facto de se produzir um documentário que passa em horário nobre, sobre um tema pouco comum em televisão. Só tenho pena que os exemplos mostrados (muito superficialmente…) pareçam ter sido escolhidos pela marginalidade ou radicalismo de opções de vida. Não havia razão para isso. O regresso ao campo deixará a pouco e pouco de constituir um exotismo de gente bem instalada na vida, mas zangada consigo própria, para se transformar num espaço de partilha de gente que não tem conflitos com a vida. É uma questão de tempo. É uma questão de bom senso e de qualidade de vida – de opção e de futuro, portanto!

 

E nem toda a gente precisa de ser bonita, como a Claire, que optou por viver com o João em Benfeita, Arganil, reconstruindo uma casa no meio do nada, com as suas próprias mãos, deixando o frenesim de Londres onde viveu onze anos… É natural que estas coisas se mostrem assim, um pouco do tipo “amor e uma cabana”, mas convém conhecer melhor esta realidade…, já não a realidade de Aquilino, que na sua forma rude de dizer as coisas, escreveu que “o melhor do país cheira a estábulo”, mas pelo menos o seu enquadramento sociológico. Como diz a geógrafa Teresa Alves, consultora do programa, estas pessoas “valorizam o seu próprio tempo e modos de vida mais solidários e vão à procura de actividades em equilíbrio com a natureza. Também são pessoas que têm uma cultura de território e que buscam um lugar específico onde possam ser felizes”.

 

*Documentário de Paulo Silva Costa. RTP1, 15 de Maio, 21 horas.

 


publicado por Fernando Delgado às 23:46
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