Domingo, 7 de Setembro de 2008

Frádigas

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fradigas.jpg

Às vezes ainda me espanto com a natureza e com o que os homens fizeram dela. O rio de Alvôco da Serra corre entre vales profundos, serpenteando entre rochas e margens sem pé na encosta Oeste da Serra da Estrela, entre Alvôco e a Barriosa, perto de Vide. Há várias aldeias no seu percurso, mas é entre as Frádigas e a Barriosa que surgem umas "obras" estranhas, mas evidentes no seu objectivo.

Basicamente consistem no corte do rio, obrigando-o a seguir em frente e libertando-o de um braço, que assim fica disponível para a agricultura. As áreas roubadas ao leito do rio são obviamente pequenas, mas percebe-se a importância que tiveram para as populações locais, embora hoje estejam praticamente abandonados, mesmo que algum milho regional, algum feijão e algumas videiras teimem em evidenciar o que as encostas abruptas e recentamente ardidas parecem desmentir.
O ano, década, século destas “obras”, a que alguns chamam frádigas, nome da aldeia, é uma incógnita. Terão mais de duzentos anos, dizem-me, mas sim, sem dúvida, nada!
(Na imagem do Google Earth está desenhada a verde a área agrícola, onde corria o antigo leito do rio, agora obrigado a seguir em frente pela garganta rochosa, assinalada a vermelho. Na fotografia, referente a outra frádiga, próximo do viveiro de trutas, pode ver-se essa garganta rochosa e o antigo leito do rio com culturas agrícolas. Já agora, numa eventual visita - isto é publicidade -, vale a pena almoçar ou jantar no Guarda-Rios, um lagar transformado em restaurante, ali mesmo por baixo da frádiga, junto à Barriosa.)
 

publicado por Fernando Delgado às 02:24
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