Quinta-feira, 13 de Julho de 2006

O Mundo é Plano

(…)“Quando Colombo se fez à vela, aparentemente partiu do principio de que a Terra era redonda, estando, portanto, convencido de que poderia chegar à Índia indo pelo ocidente. No entanto, calculou mal a distância. Pensou que a Terra era uma esfera mais pequena do que na realidade é. Também não previu avistar terra antes de chegar às Índias Orientais. Mas chamou indianos/índios aos povos arborígenes locais que encontrou no novo mundo. Ao chegar a casa, contudo, estava apto para dizer aos seua patrocinadores, o rei Fernando e a rainha Isabel, que apesar de não ter descoberto a Índia, podia confirmar que o mundo era, de facto, redondo.
Desloquei-me à Índia pelo caminho certo do Oriente, via Frankfurt. Escolhi a classe executiva da companhia aérea Lufthansa. Sabia exactamente qual a direcção em que ia, graças ao mapa GPS no ecrã amovível do braço do meu assento no avião. Aterrei em segurança e a horas. Encontrei pessoas a que se dá o nome de indianas. Também andava em busca da fonte das riquezas da Índia. Colombo procurava o hardware – metais preciosos, seda e especiarias -, a fonte de riqueza na época em que viveu. Eu procurava o software, poder da mente, algoritmos complexos, profissionais do conhecimento (knowledge workers), call centers, protocolos de transmissão, progressos tecnológicos – as fontes de riqueza nos dias de hoje.(…)
Colombo informou o seu rei e a sua rainha de que o mundo era redondo e entrou para a História como o homem que fez esta descoberta. Regressei a casa e partilhei a minha descoberta apenas com a minha esposa e somente num leve sussuro.
Querida, confidenciei-lhe, acredito que o mundo é plano.”(…)
 
Thomas L. Friedman in O Mundo é Plano, uma história breve do séc.XXI
 
 
(Confesso que estou a fazer um enorme esforço para ler este livro, apesar das recomendações de alguns amigos… as mais de 500 páginas também não ajudam. A globalização sempre me deixou sem fôlego, mesmo que se trate apenas de a compreender… Ainda por cima pode ler-se na contracapa esta prosa de João César das Neves: ‘Com brilhantismo e oportunidade, Thomas Friedman conduz-nos por uma viagem estonteante pelos quatro cantos do mundo e por várias eras, para demonstrar, com material muito variado, que vivemos numa época extraordinária de oportunidades, sobretudo para os mais pobres. … O livro que tem nas mãos pertence a um género raro. Trata-se de uma obra que se ocupa da globalização, mas que não diz mal dela!’. Ainda há pouco, na TV, ouvia alguém da GM da Azambuja falar nisto!... Tenho pena que a jornalista não lhe tenha perguntado se o mundo é plano..., até consigo imaginar a resposta redonda, tão curta e redonda!)
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Publicado por Fernando Delgado às 00:34
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