Segunda-feira, 13 de Junho de 2005

Cunhal

Confesso que de ti (sei que não estavas à espera que escrevesse com um "T" grande, como na Bíblia...) guardo sobretudo as personagens do "Até amanhã, camaradas", (curiosamente no mesmo cantinho da memória em que guardo as personagens de "Os subterrâneos da liberdade", do Jorge Amado), e um pouco de umas gravuras tuas que vi já há muitos anos. Da política, da tua política, tenho um conceito histórico, muito asséptico. É verdade que nesses tempos a minha barricada não se encontrava "do outro lado", mas em política a planificação dos objectivos, a racionalidade pura e dura, sempre me afastou dos teus palcos. Porque tem a ver com pessoas e eu, nas pessoas, gosto sobretudo das emoções, daquilo que não é planificável, daquilo que acho que é mais genuíno em cada um de nós: a liberdade de errar. Mesmo a apregoada coerência e convicção causam-me algum embaraço. É que a coerência só faz sentido se baseada num conjunto de princípios humanistas, isto é, tem a ver com o que se é realmente e nem sempre com o que se faz. De facto a alteração dos princípios não põe em causa a coerência, pode é torná-la ignóbil (não acreditas?, posso dar-te dezenas de exemplos!). Quanto às convicções, acho que muitas vezes as confundiste com certezas, o que altera profundamente o carácter e a natureza das coisas. Olha, descansa em paz!

publicado por Fernando Delgado às 23:46
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