Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

Os silêncios de Cavaco

«[...] Ele não tem jeito, normalmente, para falar muito. Eu conheço-o relativamente bem, há muitos anos, e o forte dele era o silêncio, ou era a palavra controlada. A partir do momento em que ele entende que o mandato deve ser exercido com mais conversa, ele corre sempre muitos riscos de descarrilar.»

 

Medina Carreira, TVI. Transcrição deste vídeo.

 

 

(Há políticos que manifestam uma estranha atracção pelo disparate. Ao contrário do que por vezes se pensa, estes políticos cultivam a imagem, a palavra controlada, o silêncio como forma de comunicação. Aquilo que aparenta ser um comportamento de bom-senso, é nestes políticos manifestamente um mecanismo de autodefesa, que se desmorona ao menor sinal de contrariedade. O problema é que este cair da máscara revela quase sempre um carácter mesquinho, enquadrado num mundo pequenino, sem cor, sem dúvidas e sem enganos - perfeito, nesta concepção irrealista de que o centro do mundo está neles  próprios. Idiota, no sentido de que aparentam sempre que lhe devemos qualquer coisa - eles fazem-nos um favor e nós devemos estar agradecidos.

 

Que saudades da "Música e o Silêncio" de Vitorino D'Almeida, daquela demonstração sublime de que não há música sem silêncio, como não há luz sem sombra nem vida sem morte - como é bom ouvir as palavras sem gritos e o silêncio sem desculpas. E, no limite, como forma de ignorar estes políticos, temos sempre os "sons do silêncio" como refúgio:) 

 

 

«Hello darkness, my old friend
I've come to talk with you again
Because a vision softly creeping
Left its seeds while I was sleeping
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone
'Neath the halo of a street lamp
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more
People talking without speaking
People hearing without listening
People writing songs that voices never share
And no one dared
Disturb the sound of silence

"Fools", said I, "You do not know
Silence like a cancer grows
Hear my words that I might teach you
Take my arms that I might reach you"
But my words, like silent raindrops fell
And echoed
In the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon god they made
And the sign flashed out its warning
In the words that it was forming
And the sign said, "The words of the prophets are written on the subway walls
And tenement halls"
And whispered in the sounds of silence»

 

The Sounds of Silence. Paul Simon.

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publicado por Fernando Delgado às 02:12
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