Sexta-feira, 25 de Setembro de 2015

ventriloquos

Sempre pensei que a mentira é fugaz e que, mais cedo do que tarde, acabará sempre por esboroar-se em coisa nenhuma. Odeio a mentira, por várias razões racionais, mas também por uma questão puramente prática: a mentira é muito mais difícil de sustentar do que a verdade, por mais dolorosa e crua que esta seja.

Era assim. Desde alguns anos para cá, que esta convicção tende a esvanecer-se. De facto a mentira pública ou privada, com efeitos sociais ou apenas com reflexos particulares, tornou-se num modo de vida de muita gente. A pequenina mentira, a mentirinha inocente, ingénua e hipócrita, a meia-verdade que apenas utiliza parte dos factos e as inverdades que nem sequer têm qualquer sustentação, fazem parte do manual prático usado pelos pequenos agentes políticos devidamente encartados e acartonados.

A proliferação destes ventríloquos de palavras ocas é tão grande que temo que chegue o dia em que todos vamos ter que desmentir a velha frase de Abraham Lincoln: «Pode-se enganar todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; não se pode enganar todos por todo o tempo.»

 

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Publicado por Fernando Delgado às 00:29
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