Domingo, 10 de Dezembro de 2017

Ajustando as velas

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(Ambrósio, comi os FR, já só resta um... Ah, mas que chapéu bonito fizeste do lixo. Bravo, Ambrósio!)

 

Há coisas possíveis que parecem intangíveis e é estranho que assim seja!

Vistas deste lado (do lado racional?...) estas coisas possíveis até parecem simples, apesar de estupidamente informes, meio escondidas num canto da memória, prisioneiras de tudo e de nada, do todo e do vazio, mas espreitando de vez em quando num pensamento efémero.

Inscreveram o pessimismo no manual de boas maneiras, mas é só um manual cheio de regras inúteis... E como é estranho um manual de pessimismo! E como é trágico utilizar este manual de bolso...

E a realidade?

E se de repente estas coisas possíveis estivessem ao alcance da mão? Ah, batia-lhes com força, porque não há nada mais injusto que uma coisa possível que teima em olhar a realidade com desdém, como se o seu pequeno mundo invisível fosse todo o universo.

A realidade é uma chatice?

Este mundo é complexo, mas bastam alguns gestos para se ir tornando um pouco mais acolhedor, um pouco menos sombrio. Não tenho a certeza que estes gestos sejam a expressão exata das coisas possíveis e tangíveis, mas também não interessa – o pensamento sempre foi uma forma de conhecer e moldar a realidade.

("O pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas" William George Ward - Teólogo, séc. XIX)

Inquieta-me a luz trémula da vela para além da porta aberta. É algo intangível, uma falsa entrada!

 

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Patilhar
Terça-feira, 5 de Dezembro de 2017

Contrastes

«DISPARIDADE DA RIQUEZA DE SILICON VALLEY PODE TRANSFORMAR SÃO FRANCISCO NUMA CIDADE FANTASMA

No final dos anos 90, ganhava €11/hora, vivia num apartamento com dois quartos e a vida era boa. Podia viajar de vez em quando, comprar jantar e bebidas e ir às compras. Não era rica, mas podia viver com o meu salário porque a minha renda era de €445 por mês”.

 

As palavras pertencem a Mikki Kendall, redactora do Quartz e residente em São Francisco. Segundo Kendall, os dias bons já passaram. Hoje, a renda média de um apartamento de um quarto em São Francisco é de €3.185, segundo o site Zumper, e a de dois quartos é de €4.320. No entanto, o salário mínimo continua nos €11/hora.

O aumento brutal do nível de vida da Bay Area, a Área Metropolitana de São Francisco, está relacionado com Silicon Valley, o principal centro de inovação e tecnologia do mundo e onde estão instaladas empresas como a Apple, Google, Facebook, Netflix, Intel, eBay, HP ou Pixar.

O problema, explica Kendall, não são os técnicos especializados e bem pagos, mas sim os outros trabalhadores. Onde irão morar os representantes do serviço ao cliente, os trabalhadores que tratam da manutenção dos edifícios, motoristas e outros profissionais que ajudam a indústria a crescer?

Segundo Kendall, mesmo que Sillicon Valley não queira saber do nível de vida de São Francisco – e não quer – , ela será confrontada com o problema. A não ser que queira passar a ser uma cidade fantasma.

“A estagnação dos salários é um problema em todo o lado. E as uniões, que normalmente lutam contra o aumento do custo de vida, estão continuamente sob ataque do sector da tecnologia”, segundo Kendall.

Caso esta tendência continue, de pouco valem salários elevados: os trabalhadores bem pagos do sector da tecnologia vão viver numa cidade sem serviços, uma vez que os custos de transporte ou rendas vão afastar as pessoas que providenciam esses serviços. “Uma cidade habitada exclusivamente por milionários não é funcional”, explica Kendall.

E se São Francisco quer evitar este destino tem de admitir que o problema da disparidade da riqueza vai acabar, eventualmente, por destruir todas as empresas de tecnologia – grandes e pequenas – e o próprio Vale do Silício.»

Para ler no Greensavers

 

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Patilhar
Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017

Religiões

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«O padre diz 'Levantem os vossos corações'. Ele não diz 'Levantem os vossos telemóveis para tirar fotografias (...). A missa não é um espetáculo!...»

- Papa Francisco, 08.11.2017

(cartoon da net)

 

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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017

«Ninguém desce vivo de uma cruz»

Um novo livro de Lobo Antunes (Até Que as Pedras se Tornem Mais Leves Que a Água) é um acontecimento!..., mas a entrevista que normalmente "acompanha" cada livro é em si mesma o acontecimento do acontecimento.

As palavras ditas e as palavras escritas encontram-se na esquina da rua. Nunca estiveram tão próximas.

Para ver e rever na RTP3 (Grande Entrevista, 08.11.2017).

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Segunda-feira, 9 de Outubro de 2017

Domesticação...

... dizem os entendidos que o pombo é um animal sinantrópico! Cá para mim é apenas mais um fã da sociedade de consumo...

(... ou como os instintos primários - a fome, o sexo, ... - são tão distintos dos interesses mediáticos: enquanto uma multidão procura de olhos esbugalhados a onda gigante do canhão da Nazaré, o pombo aproveita a distração e, desde passas de figo a amendoins e nozes, tudo é apreciado com aparente prazer gastronómico. Nem as guloseimas embaladas escapam, o que só mostra uma sinantropia de elevado nível! ... Entretanto a onda nem sequer emergiu do mar preguiçoso...)

 

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Domingo, 23 de Abril de 2017

J. Fanha

A força das palavras ditas!

 

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Terça-feira, 21 de Março de 2017

«o pregador de verdades dele»

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«O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, acusou o Sul da Europa de desperdício de dinheiro em "copos e mulheres", durante a crise que conduziu aos resgate financeiro de países como Portugal, Grécia ou Espanha».

- notícia do dia -

 

... meu caro Dijsselbloem (que raio de nome te deram...), hoje é o dia mundial da poesia e deixo-te aqui um poema de um tal Alberto Caeiro (não sabes quem é, pois não?!...) para que, na próxima vez que falares dos pobres do sul, aos "copos" e às "mulheres" acrescentes a poesia - nunca perceberás porquê, é um segredo só nosso!...

 

«Ontem o pregador de verdades dele
Falou outra vez comigo.
Falou do sofrimento das classes que trabalham
(Não do das pessoas que sofrem, que é afinal quem sofre).
Falou da injustiça de uns terem dinheiro,
E de outros terem fome, que não sei se é fome de comer,
Ou se é só fome da sobremesa alheia.
Falou de tudo quanto pudesse fazê-lo zangar-se.
 
Que feliz deve ser quem pode pensar na infelicidade dos outros!
Que estúpido se não sabe que a infelicidade dos outros é deles.
E não se cura de fora,
Porque sofrer não é ter falta de tinta
Ou o caixote não ter aros de ferro!
 
Haver injustiça é como haver morte.
Eu nunca daria um passo para alterar
Aquilo a que chamam a injustiça do mundo.
Mil passos que desse para isso
Eram só mil passos.
Aceito a injustiça como aceito uma pedra não ser redonda,
E um sobreiro não ter nascido pinheiro ou carvalho.
 
Cortei a laranja em duas, e as duas partes não podiam ficar iguais.
Para qual fui injusto — eu, que as vou comer a ambas?»

 

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa), Poemas Inconjuntos. Ontem o pregador de verdades dele.

 
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Domingo, 19 de Fevereiro de 2017

Belos dias

Entre um twit e uma conferência de imprensa (o twit sobre o que não disse na conferência de imprensa e a conferência de imprensa como ponto de partida para um novo twit...), onde tudo o que diz e escreve é absurdo, Trump vai compondo uma figura caricata que faz as delícias de qualquer humorista - há uns programas de tv's americanas, na SICN, que vale a pena ver...

Cavaco publicou um livro, um livro escrito por ele, com muitas páginas (consta que José Rodrigues dos Santos decidiu adiar a publicação de um novo volume para lhe acrescentar mais umas centenas de páginas...) Quem bom, que felizes estamos!

Marcelo já chegou à dezena de milhões de selfies. Parece que já não há nenhum português sem uma foto, emoldurada na sala, com o presidente. Do sofá desbotado, toda a família olha enlevada para as molduras (sim, no plural - uma com o avô, outra com a mãe e ainda outra com a filha - apesar das famílias portuguesas serem cada vez mais pequenas) mesmo ao lado da televisão, enquanto o Goucha, a cores e ao vivo, parece embrulhado num casaco com um padrão de colchão primaveril...

Centeno tem medo de dizer que mentiu! Não há ninguém que lhe diga que a mentira em política é uma virtude?

Que merda de mundo este!

 

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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

Talamou

Do Papalagui, à atenção da "nossa faladura" no Baságueda

«O gajo da américa é um pouco talamou»

 

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Sábado, 17 de Dezembro de 2016

«A realidade é uma opinião»

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[...] No fundo passamos a vida, em Portugal, a discutir a gerrilha orçamental..., eu acho que era importante começar-mos a discutir a paisagem mais vasta... A questão fundamental é esta: a UE e a Zona Euro, como estão, têm alguma chance de chegarem incólumes até final de 2017? ... E esta é uma questão central, e esta é uma quetão política e é uma questão financeira, mas também uma questão de saber como é que nós podemos começar a falar francamente..., é muito curioso..., nós criticamos os populistas - o populismo define-se fundamentalmente por uma tese: os populistas são aqueles que acreditam que a realidade é uma opinião. E, portanto, as opiniões podem ser mudadas... O Sr. Trump considera que as alterações climáticas não existem, porquê?, porque são uma opinião! [...]»

Viriato Soromenho-Marques, O Princípio da Incerteza, RTP 3, 17.12.2016.

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Terça-feira, 22 de Novembro de 2016

«Human»

Sobre este filme-documentário, a RTP descreve-o como "uma experiência sensível sobre a comunidade global mas também sobre o indivíduo. Por guerras, desigualdades, discriminações, mas também amor, família, Human confronta-nos com a realidade e a diversidade da nossa condição humana. Depoimentos mostram a empatia e a solidariedade de que somos capazes."

Como sempre, falta ali muita coisa, mas vale a pena ver (também disponível no youtube).

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«Quando não temos mais que comer, vamos procurar grãos de arroz nos buracos dos ratos. Quando encontramos alguns, colocamos num cesto e voltamos para casa. No dia seguinte cozinhamos o arroz e vamos procurar mais. Deus tem o coração bom. Ele protege-nos e dá-nos tudo. Se ele me vê a procurar nos buracos, acabo sempre por achar grãos»

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«A rua é uma escola muito dura...»

«A pobreza é um estado no qual me encontro actualmente. Mas pelo facto de viver assim diariamente, não chego a gostar, mas habituo-me, simplesmente. A pobreza é um estado duradouro. E para muitos. Para gente demais!»

 «Eu gostava de perguntar que diabo faço aqui. Porque não posso estar aí. Vamos trocar de lugar. Vamos! Você vem para aqui e vive como eu, e eu vou para aí e vivo como você. A gente se encontra no meio, no Equador e joga uma partida de golfe.»

 «Posso fazer muitas coisas. Sem pressa.»

«Sei que não devia sorrir..., mas sinto-me muito bem, livre!»

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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2016

MEC sobre Trump

Uma forma diferente de interpretar a realidade (Não é Trump que tem de dar uma reviravolta. Somos nós. Trump ganhou porque foi eleito. Nós perdemos porque fomos derrotados pelos nossos próprios preconceitos e pelo excesso de zelo com que perseguimos a vitória de Hillary Clinton):

 

«Trump ganhou. Nós perdemos. Por nós quero eu dizer os meios de comunicação social dos EUA e da Europa. Segundo as histórias que nós contámos aos leitores e uns aos outros o que acaba de acontecer era impossível.

As nossas sondagens e opiniões – incluindo as minhas – não só se enganaram redondamente como contribuiram para criar um perigoso unanimismo que fez correr uma cortina de fumo digno dos propagandistas oficiais dos estados totalitários.

Eu leio todas as semanas duas revistas conservadoras americanas – The Weekly Standard e National Review. Leio todos os dias o igualmente pro-Republicano Wall Street Journal. Em nenhum deles fui avisado que Trump poderia ganhar.

Sinto-me vítima de uma conspiração – não da parte de Trump mas da parte dos media. Aquilo que aconteceu não foi a cobertura das eleições americanas, mas antes uma vasta campanha publicitária a favor de Hillary Clinton onde até revistas apolíticas como a Variety participaram.

Donald Trump foi sujeito à maior e mais violenta campanha de ataques pessoais que alguma vez vi na minha vida. Todos as principais publicações alinharam entusiasticamente. Sem recorrer a sites de extrema-direita o único site que defendia Trump foi o extraordinário Drudge Report. Foi só através dele que comecei a achar – e aqui vim dizer – que o eleitorado reage sempre mal às ordens paternalistas dadas por uma unanimidade de comentadores, jornalistas e celebridades.

A eleição de Donald Trump foi um triunfo da democracia e uma derrota profunda dos meios de comunicaçã o social.

Claro que Trump não é nenhum outsider. É um bilionário que sempre fez parte da ordem estabelecida, da elite que dá as ordens e manda na economia dos EUA. É um amigo de Hillary e Bill Clinton que só se tornou ex-amigo porque lhe deu na gana ser presidente dos EUA.

Agora é. Conseguiu o que queria. Há-de voltar as costas ao eleitorado que o elegeu logo que perceba que a única coisa que esse eleitorado tinha para lhe dar já foi dado: os votos de que ele precisava para ser eleito.

Já fez o elogio de Hillary Clinton. Já disse que vai representar todos os americanos. Vai-se tornar lentamente um republicano moderado e liberal. Os oportunistas têm sempre essa vantagem da metamorfose.

Trump ganhou contra grande parte do Partido Republicano mas foi graças a ele que o Partido Republicano manteve a maioria no Senado e no Congresso. Se Trump fosse o populista aventureiro que finge ser aproveitaria para minar o sistema político vigente, tirando partido do poder político pessoal que agora tem.

Mas não fará nada disso. O Partido Republicano tem agora tudo na mão.

Trump presidirá à complacência do poder político instalado, do poder recuperado das mãos de Obama. O velho sistema político será reforçado e os beneficiários serão os de sempre: os que menos precisam.

E os media? Que vamos nós fazer? Continuar em campanha? Continuar a enganarmo-nos e a enganar quem nos lê?

Mostrarmo-nos surpreendidos e atónitos não chega. Só revela o mau trabalho que fizemos. Dizer que foi um choque, que ninguém estava à espera só aponta para o mundo ilusório onde reside a nossa própria zona de conforto.

Não é Trump que tem de dar uma reviravolta. Somos nós. Trump ganhou porque foi eleito. Nós perdemos porque fomos derrotados pelos nossos próprios preconceitos e pelo excesso de zelo com que perseguimos a vitória de Hillary Clinton.

É um dia feliz para Donald Trump e para a maioria que o elegeu. Para nós é um dia triste e, do ponto de vista profissional, pelo menos para mim, vergonhoso.»

Miguel Esteves Cardoso. É amarga, mas justa, a lição que Donald Trump acabou de nos dar. Público, 09.11.2016.

 

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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2016

À espera de Godot

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Hillary ou Trump? E eu aqui à espera...

 

Será que quero mesmo esperar para saber ou apenas mergulhar neste vazio, neste esperar por nada, sendo este nada - as  torrentes de palavras na televisão - tudo o que existe?

 

Como na história de Samuel Beckett, Godot nunca mais chega...

Que se lixe!

 

Depois há a rocha e a planta em flor (na Foz do Cobrão, uma espécie de derrame apocalíptico de pedra sobre o rio ocreza...) que serve para dar sentido ao medo que nos estremece quando não dominamos o sentido das coisas.

 

Esta rocha e a planta florida são tudo - o céu é apenas uma encenação do vazio, mesmo que tentemos dar-lhe espaço e tempo e vida, e todas aquelas coisas que desconhecemos e imaginamos como reais e que ingloriamente insistimos em compreender.

 

E Godot nunca mais chega!...

Hillary ou Trump?

 

(Foz do Cobrão - Canon EOS 400D; Sigma 18-200 mm; 1/500 s; f/16; ISO 320; 59 mm)

 

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Domingo, 9 de Outubro de 2016

De Niro, sem maquilhagem

 

«I mean he’s so blatantly stupid. He’s a punk, he’s a dog, he’s a pig, he’s a con, a bullshit artist, a mutt who doesn’t know what he’s talking about, doesn’t do his homework, doesn’t care, thinks he’s gaming society, doesn’t pay his taxes.

He’s an idiot.

Colin Powell said it best: He’s a national disaster. He’s an embarrassment to this country.

It makes me so angry that this country has gotten to this point that this fool, this bozo, has wound up where he has. He talks how he wants to punch people in the face?

Well, I’d like to punch him in the face. This is somebody that we want for president? I don’t think so.

What I care about is the direction of this country, and what I’m very, very worried about is that it might go in the wrong direction with someone like Donald Trump. If you care about your future, vote for it.»

- Robert De Niro -

No comments!

 

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Quinta-feira, 6 de Outubro de 2016

Guterres

Orgulhoso de Guterres (há pouquíssimas personalidades cujas qualidades públicas me fazem sentir orgulhoso de ser português...), nada como algum silêncio para ouvir Maria João Pires interpretando Chopin (sem qualquer associação racional e apenas como reacção a uma espécie de ladainha enfadonha nas televisões sobre esta eleição para secretário-geral da ONU).

Diz-me a "vida" que só somos reconhecidos como "bons" ("excepcional", diz o presidente, rarefazendo o universo de hipóteses...) em duas ocasiões: na morte, por deferência dos amigos, ou quando fazemos algo de transcendente, por interferência dos media! É óbvio que só a primeira hipótese está ao alcance de todos...

 

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Terça-feira, 12 de Julho de 2016

(Gente) sinistro(a)

O camarada Durão chegou ao topo!

Cervantes, acho que era Cervantes, dizia que o importante não era a partida ou a chegada, mas o caminho… Como estava enganado o pobre do Cervantes – o caminho é uma farsa, o importante é mesmo o ponto de partida e de chegada, sobretudo de chegada.

É um caminho tortuoso, sempre em frente, por cima de quem aparece? Pois, que seja – este mundo é assim mesmo. Só há um objectivo: chegar o mais alto possível (Deus que se cuide!). Só há um método: ambição sem limites (D. Sebastião, chora de raiva!)

Parabéns, camarada Durão. Que as insónias te sejam leves!

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Segunda-feira, 27 de Junho de 2016

«Someday this war's gonna end»

Vi Apocalypse Now pela décima vez (se calhar foram menos...) e há sempre duas sequências de imagens que arrepiam.

Procurei e descobri (afinal parece que tudo se pode descobrir no Youtube...) essas "peças" do filme e, de facto, quer a sequência de abertura do filme - To the End, dos Doors -, quer sobretudo a sequência do bombardeamento na praia, com napalm a queimar o chão, soldados a surfar as ondas (com a Cavalgada das Valquírias,  de Wagner, em fundo) e as absurdas palavras do comandante das tropas - I love the smell of napalm in the morning, para logo de seguida setenciar: someday this war's gonna end  - traduzem bem a irracionalidade da guerra e, já agora, a genialidade de Copolla.

Este é um daqueles filmes que vemos uma vez e vamos revendo... Aquela guerra, como qualquer outra, um dia acabou! Ficou uma geração cheia de coisa nenhuma...

 

 

 

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Sexta-feira, 24 de Junho de 2016

BREXIT (adenda)

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Afinal o BREXIT ganhou!

(ai estas sondagens...)

Mas será que a couve de bruxelas perdeu mesmo?

 

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Quinta-feira, 23 de Junho de 2016

Brexit

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Tudo indica que a couve de bruxelas ganhou!

É o mesmo que dizer que os burocratas de Bruxelas vão cumprir o ritual do chá das cinco e, noite dentro, continuar a inundar-nos com regulamentos, directivas, regras, normas, sanções?

O problema não é a UE, é esta UE! Vai mudar alguma coisa?

O que mais me irrita é que há uns brócolos que precisam da couve de bruxelas como de pão para a boca! E adoram-na, lambuzam-se qualquer que seja a  estapafúrdia mixórdia gastronómica que lhes servem num prato de doze estrelinhas. 

Um dia hei-de escrever sobre esta fúria regulamentadora das couves de bruxelas e dos brócolos lusos - sim, elas não estão sós! - na agricultura...

 

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Domingo, 20 de Março de 2016

Retrospectivas

Janela de vidro fosco:

«De janeiro de 2015 a janeiro de 2016, o lobo matou quase 2000 cabeças de gado no Minho.O Instituto de Conservação da Natureza vistoriou nesse período 1272 ataques reportados por criadores nos Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Paredes de Coura, Cerveira, Caminha, Viana, Melgaço, Monção, Valença, Ponte de Lima, Terras de Bouro, Vieira do Minho, Cabeceiras e Vila Verde, e confirmou, para efeitos de indemnização, prejuízos em 1831 animais (ovinos, caprinos, bovinos, equinos e caninos).(...)»

- Jornal de Notícias

Janela de cortinas sujas:

«A Caixa Económica Montepio Geral obteve prejuízos de 243,4 milhões de euros em 2015, acima dos cerca de 187 milhões de euros de perdas em 2014, divulgou hoje a instituição liderada por José Félix Morgado. O banco justifica, em comunicado, este agravamento dos prejuízos, face a 2014, por ter feito menos resultados com as operações financeiras (138,7 milhões de 2015, abaixo dos 352,2 milhões de 2014 com), sobretudo devido às menores mais-valias com a dívida pública, depois de em 2014 terem sido vendidos muitos desses títulos.(...)»

- Expresso.

Janela de vidros partidos:

«Mais de 100 municípios portugueses apagam as luzes durante a Hora do Planeta. A iniciativa mundial que pede para se apagarem as luzes em nome da sustentabilidade, espera chegar a mais de 100 localidades portuguesas e a alguns monumentos nacionais.(...)»

- TSF.

Janela para as traseiras:

«António Duarte, português, ficou ferido este sábado no atentado suicida em Istambul. Foi atingido por estilhaços depois da explosão. Trabalha numa empresa de telecomunicações e passeava no local no momento da explosão. Ficou ferido no rosto e sangrava de um ouvido. Está a receber tratamento hospitalar mas não perigo de vida. (...)»

Correio da Manhã.

Janela indiscreta:

«Segundo uma nota divulgada no 'site' da Presidência da República, a apresentação do retrato oficial do chefe de Estado decorreu esta tarde no Palácio de Belém.Na cerimónia privada, Cavaco Silva entregou, na presença do autor, o retrato oficial ao diretor do Museu da Presidência. Antes, Cavaco Silva explicou que recebeu várias propostas de retratos oficiais, tendo a escolha final recaído entre dois retratos, de dois pintores portugueses. A seleção entre estes dois retratos foi depois feita através de uma votação realizada entre 40 pessoas, familiares e amigos, por voto secreto em urna. Os participantes na votação não conheciam o nome do autor de cada quadro. O retrato escolhido foi, assim, o mais votado. Carlos Barahona Possollo nasceu em Lisboa em 1967 e é licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. O pintor tem trabalhos expostos em várias instituições de Portugal e, também, no estrangeiro. (...)»

- Sapo 24.

 

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Patilhar
Domingo, 21 de Fevereiro de 2016

Umberto Eco

A adaptação de livros ao cinema tem uma longa história, mas lembro-me de poucos exemplos em que esta ligação tenha resultado num final feliz. O Nome da Rosa é provavelmente um destes raros exemplos.

Entre o livro, o filme (de Jean-Jacques Annaud), e uma representação teatral, que há uns anos vi no Convento de Cristo em Tomar, ainda é este último que mais retenho na memória.

(Umberto Eco morreu. Não gosto de obituários, mas há personalidades que são incontornáveis e por isso aqui fica esta nota..., como complemento de outras: ver aquiaqui e aqui.)

 

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Patilhar
Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2016

As ondas do Albert

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Admito que o meu espanto seja proporcional à ignorância que tenho nestas matérias, mas impressiona-me o facto de uns gatafunhos rabiscados numa sebenta se irem tornando a pouco e pouco (e já lá vão 100 anos...) na explicação de uma realidade que ninguém vê (ou via). Afinal a melhor prática ainda é uma boa teoria!...

Ó Albert, esse cabelo desgrenhado é devido à ondas gravitacionais, seja lá isso o que for?

 

« [...]

A descoberta das ondas gravitacionais não é nada inesperado para os físicos. Todos eles esperavam, mais tarde ou mais cedo, que mais esta previsão de Einstein se viesse a confirmar. Mas é uma ironia da história que ela tenha sido feita escassos dois meses após o centenário da teoria da relatividade geral de Einstein, que tão bem descreve os fenómenos gravíticos através de uma deformação do espaço-tempo em volta de corpos com massa.  Até agora todas as previsões da relatividade geral de Einstein bateram certo. É uma teoria não só bela - uma das mais belas teorias científicas - mas também verdadeira, muito verdadeira.

[...]»

Ler texto integral em De Rerum Natura

 

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Patilhar
Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2016

textos de inverno

Sei que a repetição é uma sintoma de falta de imaginação, ou mesmo o primeiro grau de uma preguiça que nestas longas e frias noites de inverno teima em sentar-se ao meu lado e adormecer, adormecendo-me... Sei que este é o tempo das leituras, mas até os livros se cansam nas mãos...

Por isso aqui fica mais um texto retirado do blog ana de amsterdan. O motivo não é apenas, ou sobretudo, a preguiça. Não! - é a sua qualidade, mesmo sabendo que a minha opinião é irrelevante.

 

«Intimidade

Usarei a melhor blusa, os sapatos vermelhos, os brincos de ouro que herdei da avó goesa. Caminharei ao seu lado. Colocarei um pé a seguir ao outro. Em cada passo sentirei o peso exacto do meu corpo. Hei-de mostrar-lhe a estátua de Hanuman, as suásticas, as hortas em redor, o auditório forrado a alcatifa verde, a cantina escura. Chamarei a sua atenção para o tom das cadeiras de plástico do templo. É pela cor do plástico das cadeiras, a mostrar a fraca qualidade do material, que se percebe o embuste: o templo hindu não está localizado em Lisboa. Fica numa rua barulhenta dos subúrbios de Bangalore. Desceremos ao poço. Ao contrário do habitual, comerei com gosto, sobretudo as chamuças ainda quentes. Estarei atenta à maneira como come. Mostrar-lhe-ei como se partem aos pedaços os rotis e se misturam com o resto da comida. Hei-de rir quando provar o caril de legumes, aguado e sensaborão. Fará uma careta engraçada. Evitaremos temas pessoais. A intimidade nunca é por nós partilhada. Falaremos mal de escritores, críticos literários, jornalistas, editores. Para além da ausência e do falso desprendimento, a maledicência é o que nos une. Falarei com entusiasmo do conto do Dylan Thomas que li, sem nunca lhe confessar que, quando o li pela primeira vez, me imaginei deitada na cama ao seu lado. Numa intimidade de velhos, os óculos na ponta do nariz, os nossos pés a tocarem-se por baixo dos cobertores, imaginei-me a ler para ele aquele preciso conto. Maravilhoso conto. Ler em voz alto para alguém é sinal de amor. Leio em voz alta para os meus filhos. É uma outra forma de lhes dizer que os amo. Escutar-me-á falar e intimamente lamentará não me amar. No final, à despedida, um beijo apressado, a boca dele mal me tocando no rosto. Sentirei o seu cheiro. Seguirá pela rua, sem nunca olhar para trás. Ficarei a vê-lo, enfiado num casaco feio, caminhando apressado na direcção da biblioteca.»

Ana Cássia Rebelo. ana de amsterdan.

 

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Patilhar
Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2015

Ana de amsterdam

Há neste Blog, de Ana Cássia Rebelo, que lamento só recentemente ter descoberto, qualquer coisa de inquietante que ainda não consegui descodificar. A escrita (e as escolhas que ela encerra ou insinua...) é apaziguadora em alguns textos, de completa rebeldia noutros e de um terno desconforto em quase todos - não há conversa lamecha nem adjectivos inúteis, mas apenas uma enorme fome de vida... Ou não?

Aqui ficam quatro exemplos, com viva recomendação de leitura de todo o Blog:

«Cerejeiras 

No festival literário da Gardunha conheci o Pedro Eiras. Também há coisas boas nos festivais literários. Levou para o festival a mulher e as filhas. É um homem gentil, usa t-shirts às risquinhas, fala pausadamente, sorri muito, às vezes, fecha os olhos enquanto conversa. Comprei na altura o seu romance sobre Bach. Ainda não o li, porém, desde então, sempre que escuto Bach, lembro-me do Pedro. No dia de Natal, sozinha, a caminho de casa do meu irmão, escutava no carro os Concertos de Brandenburgo. A música erudita é um bálsamo na minha vida, mas continuo a sentir-me uma intrusa quando a escuto. Perante tanta beleza, tão extraordinária e sublime beleza, eu, descrente, ateia convicta, quase acredito em Deus e acho que isso diz muito sobre as minhas contradições. Parada numa rua feia da Alta de Lisboa, os prédios de habitação social sujos de fuligem, paredes grafitadas, olhando os negros que fumavam à porta do café Milenuim, pré-disposta a agoniar-me com os risos dos meus sobrinhos e o borburinho distante das conversas sobre Inglaterra, lembrei-me da descida da serra da Gardunha: campos de cerejeiras carregadas de frutos, eu e o Pedro sentados no pequeno autocarro ao lado do condutor, em conversa animada; atrás, a Sandra, a sua mulher, morena silenciosa e muito bonita, as filhas observando a paisagem.»
 

«Kamikaze

O problema, como lhes costumo dizer, é deles, não meu. Não tenho compromissos, sou livre como uma borboletinha. Não traio ninguém. Três homens casados, mas muito diferentes. Conheço o Alexandre há dez anos, encontramo-nos em quartos de hotel quando nos apetece. Os nossos corpos conhecem-se de outras vidas, encaixamos perfeitamente, tocamo-nos como bichos, sem filtros, sem inibições. Ele sabe o que me dá prazer. Sei o que lhe dá prazer. Gosta, por exemplo, que lhe lamba os testículos. Nunca me fala da mulher ou dos filhos. A última vez que estivemos juntos explicou-me o que era uma didascália e, depois de me beijar as mamas, disse que eu era uma mulher-kamikaze. É o amante perfeito. Não trocamos mensagens, não falamos ao telefone, não nos encontramos para almoçar. O segundo amante, recente, novato, é muito diferente. Encontrei-o por acaso na fila do pão. Bonito e escultural, mas um pouco parvo. Empolga-se, diz que os meus olhos castanhos são lindos e que a minha boca tem a cor das framboesas maduras. Que tédio, que miserável tédio! Chama-se Miguel e acho que o vou deixar. Fala-me de amor, um amor aborrecido e previsível, mas depois, pobre coitado, partilha comigo histórias sobre a mulher e as duas filhas. Na semana passada, depois de me oferecer um livrinho de merda que naturalmente não lerei, disse que a mulher, empregada bancária, é a rocha que sustenta a sua vida. Não vou para a cama com um homem para o ouvir falar da sua mulher. O terceiro homem casado com quem me deito é o homem que amo. Um homem inteligente, bonito, o mais bonito do mundo, não há homem igual, mas pelo qual não tenho qualquer tipo de entusiasmo sexual. Deito-me com esse homem quando ele quer, sou dissimulada, detestável, finjo orgasmos, simplesmente porque preciso de senti-lo perto de mim.»

«Dois dedos de testa

Não quero ruído, nem gargalhadas, nem conversas lúbricas, nem convites para jantar em restaurantes onde se servem carnes maduras. Não quero amar e não quero ser amada. Isso não. Quero apenas a vulgaridade, mas a vulgaridade silenciosa, invisível, a que jamais se confessa, a vulgaridade das casas de banho-públicas, dos quartos de hotel e dos carros parados à beira-rio. E, como no poema, não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício e cair verticalmente no vício.»

«A Casa dos Budas Ditosos

Interrompo o silêncio para um desabafo: a cadeia de supermercados Auchan baniu das suas prateleiras A Casa dos Budas Ditososdo João Ubaldo Ribeiro. Dizem os senhores que por lá mandam que o livro é pornográfico. Gesto tacanho, de imbecilidade necessariamente viril. Tive os melhores orgasmos da minha vida a ler o dito livro. Trouxe-o a minha irmã Susana de Brasília. Li-o às escondidas, com o coração acelerado, quando a casa paterna repousava de todos os seus outros habitantes. À conta dessas prazenteiras tardes de verão tenho até uma fotografia do escritor colada na porta do frigorífico. Perguntam-me os meus filhos quem é este senhor de bigode que aqui está? Não lhes respondo. Eu sei porque ele lá está. É, pois, absurda a atitude dos senhores do grupo Auchan. Em vez de banirem o livro do João Ubaldo Ribeiro das suas castas prateleiras, deviam encará-lo como um trunfo promocional, oferecê-lo, por exemplo, a todas as mulheres que fizessem compras superiores a cinquenta euros. Os senhores do grupo Auchan talvez não saibam mas um bom orgasmo, secreto, inesperado, proibido, dá mais felicidade a uma mulher do que os trocos que poupa comprando iogurtes de marca branca ou fraldas por atacado.»
Publicado por Fernando Delgado às 22:53
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Terça-feira, 29 de Dezembro de 2015

Este tempo

«Observando a zona euro, verificamos que a governação ideológica pode durar algum tempo, faz os seus estragos na economia, deixa facturas por pagar, mas acaba sempre por ser derrotada pela realidade».

Aníbal Cavaco Silva, numa intervenção no encerramento do Conselho da Diáspora, que decorreu no Palácio da Cidadela, em Cascais.

«A prática é o critério da verdade».

Jorge Jesus, numa entrevista à TVI, alguns dias depois.

 

Este é um tempo de Natal, de Ano Novo, de concórdia e de esperança, dizem os manuais deste tempo.

Diz-me a realidade que este tempo não vem nos manuais, é um tempo de mudança , de incerteza, de coisas novas – é um tempo ideológico.

Diz-me o dia a dia que a verdade não é um bem próximo, um percurso, nem sequer um objectivo – é apenas um selo numa carta sem endereço.

Diz-me o subconsciente que é gratificante viver num país de personagens com tão profundos pensamentos!

O consciente não diz nada: ri deste tempo de inutilidades bíblicas.

 

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Publicado por Fernando Delgado às 01:53
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Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2015

Jornalismo

Jorge Wemans numa lição sobre jornalismo e sobretudo como, também na informação, os tempos estão a mudar...

 

Publicado por Fernando Delgado às 22:36
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Sábado, 12 de Dezembro de 2015

Cale-se, meu general!

«Cale-se, meu general!», parece uma frase retirada do livro O Valente Soldado Schweik, de Jaroslav Hasek, mas não é mais que a ameaça de um tal Duarte Marques, excelentíssimo deputado na nossa república, a José Pacheco Pereira.

Confesso que até me agrada a ideia de Pacheco Pereira ser expulso do seu partido, mas por uma simples questão de respeito pela inteligência - e já agora pela dignidade de um general -, também me parece que a ordem de expulsão deveria vir de alguém com uma categoria equivalente (e obviamente não me refiro a uma categoria de pedestal...). Assim, vindo de onde vem, parece uma anedota - até consigo ouvir a sonora gargalhada de J.P.Pereira depois de olhar para a foto e o cv do seu delator.

 

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Publicado por Fernando Delgado às 23:30
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Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2015

Miró

Julgo que foi Shakespeare que disse que «as coisas mais mesquinhas enchem de orgulho os indivíduos baixos». Apetecia-me dizer isto de outra maneira, mas também acho que as "excelências" que consideraram a venda das obras de Miró imprescindível para reduzir a dívida ou o déficit, não merecem tal esforço, mesmo que expresso num palavrão. São medíocres, só isso!

Miro.jpg

«Foi noticiado que 41 dos 85 quadros da coleção Miró que é propriedade, indiretamente, do Estado português, poderão ser classificados. Significa isto que os quadros não poderão deixar o território português sem autorização prévia, o que será a machadada final no leilão de venda dos quadros que o anterior governo quis promover.

A “necessidade” do leilão de venda dos quadros era justificada por razões financeiras, o que sempre me pareceu um fraco argumento. A estimativa de receitas era de 35 milhões de euros. A estes há que retirar os 10% de comissão de leiloeira, sobrando para o Estado 31,5 milhões.

[...]

O que agora há a fazer é juntar os quadros, usar um edifício que já pertença ao Estado, e expor a coleção. Os rendimentos obtidos, com toda a probabilidade, serão superiores aos obtidos com a hipotética venda dos quadros, pois melhorarão a oferta turística da cidade que tenha a sorte de obter a coleção. É que o turismo cultural tem cada vez mais importância, e não perceber isso é um sinal de incompreensão de mundo em que vivemos, e para onde vamos.

[...]»

Jornal SOL, 02.12.2015.

 

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Domingo, 8 de Novembro de 2015

Um belo couval

Transcrevo abaixo um texto que podem ler no Blog de Esboços, do Carlos Matos. Aliás, um Blog que me interessa sobretudo pelos esboços - uns traços negros, aparentemente trémulos, sem capacidade de segurar as cores vivas, instáveis, que ora enchem a imagem, ora se esvaziam, como se uma pequena ave esvoaçasse sobre a água, ou os delicados fios com que se fabrica a quietude, como diz o Mia Couto...

Mas adiante, não é dos esboços que quero falar. É da escrita intimista, da alegoria do bife de vitela com azeite (mas que podia ser com iogurte), da máquina de ozono que não funciona e das doze dezenas de couves no rego, como cenário de uma discussão/conversa sobre a perfeição e a certeza. Nada melhor que um cenário matinal - único, claro e límpido... - para enquadrar a existência como forma de ser e de estar, ou para sustentar o conflito de gerações na simplicidade da síntese dialéctica do botão e da manivela.

Não conheço o Toscano, o Carlos, o Inserme e o C., ou conheço sem conhecer suficientemente, mas abençoados aqueles que se permitem desfrutar de tais privilégios num mundo prenhe de certezas bacocas, de perfeições efémeras e de botões inúteis. Há um qualquer deus que vos vigia, incomodado com a desfaçatez de tamanha liberdade.

 

«Na quinta do amigo Victor Toscano há sempre animação. A convocatória foi para dispor umas couves com uma prévia atividade matinal que metia um bife de vitela no pão (com molho normal, apenas um fio de azeite muito quente, alho e sal; sela-se o dito cujo, previamente untado com azeite e junta-se um nico de vinho branco que se deixa evaporar. Fiquei a saber que se o molho for à Portugália, bate-se à parte mostarda com iogurte natural; junta-se e deixa-se apurar). No conforto do bife e da companhia, antes da atividade propriamente física, ainda houve tempo para meditar sobre algumas palavras que não fazem muito sentido existirem, como perfeição ou certeza. Não há perfeição nem certezas absolutas. Perfeição quer aliás dizer, segundo o Toscano, fazer com Excelência, o que dá outro sentido à palavra. O Inserme ainda tentou que, certeza certeza só a morte, mas nem isso é muito claro, já que muita gente em muitas partes do mundo, acredita, que por aqui é apenas uma passagem.

Mas o melhor estava para chegar. C. , vista habitual, trazia com grande satisfação e orgulho uma máquina novinha em folha para fazer, pasme-se Ozono! Perante a nossa admiração e incredulidade sobre tantos benefícios na Respiração, Feridas, Inflamações, Desintoxicações, Purificações, e até remédio para algumas disfunções, etc etc a máquina, teimosa, não funcionou como seria dado e se pretendia demonstrar.
Mas o Toscano sossegou a coisa: Se não funciona bem é desta nossa eletricidade de certeza. Tens de entregar isso a alguém mais novo, que são da geração do botão. Nós somos da manivela.
Quanto às couves ficaram umas doze dezenas no rego.
Um belo couval.»

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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2015

To be...

Do panfleto que os senhores deputados, que hoje tomaram posse, tinham sobre a mesa:

  • TO DO IS TO BE - Nietzsche
  • TO BE IS TO DO - Kant
  • DO BE DO BE DO - Sinatra

 

(Como no final alguém irá fazer as contas, pressinto que a maioria optará por Sinatra. Com algum bom gosto, diga-se!...)

 

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Domingo, 4 de Outubro de 2015

Inutilidades democráticas

Sem surpresa, com alguma frustração, mas também com algum alívio, vejo agora que o meu voto não contribuiu para a eleição de nenhum deputado. A democracia também vive destes actos inúteis!

 

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Sábado, 3 de Outubro de 2015

As Vénus de Rubens e Velázquez

Rubens.jpg

Velazquez.jpg

 

O importante é encontrar as diferenças, ou perceber porque são diferentes?

E o espelho revela a verdadeira face?

E porque participam as crianças neste ilusionismo?

 

(Nota: Amanhã vou votar. Se tivesse suficiente engenho e arte - e não tenho! -, desenhava no boletim de voto Sua Excelência o Senhor Primeiro Ministro de costas - mais ao estilo de Rubens... - e Sua Excelência o Senhor Vice-Primeiro Ministro, também de costas - mais ao estilo de Velázquez... -, com o Zé Povinho, de Bordalo, a segurar o espelho com a imagem de um Portugal doente. Rubens e Velázquez criaram duas obras-primas, estas duas Excelências criaram um país enfezado. Ao fim e ao cabo a imagem reflecte a qualidade do criador!)

 

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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2015

ventriloquos

Sempre pensei que a mentira é fugaz e que, mais cedo do que tarde, acabará sempre por esboroar-se em coisa nenhuma. Odeio a mentira, por várias razões racionais, mas também por uma questão puramente prática: a mentira é muito mais difícil de sustentar do que a verdade, por mais dolorosa e crua que esta seja.

Era assim. Desde alguns anos para cá, que esta convicção tende a esvanecer-se. De facto a mentira pública ou privada, com efeitos sociais ou apenas com reflexos particulares, tornou-se num modo de vida de muita gente. A pequenina mentira, a mentirinha inocente, ingénua e hipócrita, a meia-verdade que apenas utiliza parte dos factos e as inverdades que nem sequer têm qualquer sustentação, fazem parte do manual prático usado pelos pequenos agentes políticos devidamente encartados e acartonados.

A proliferação destes ventríloquos de palavras ocas é tão grande que temo que chegue o dia em que todos vamos ter que desmentir a velha frase de Abraham Lincoln: «Pode-se enganar todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; não se pode enganar todos por todo o tempo.»

 

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Domingo, 13 de Setembro de 2015

A notícia

...do risível:

(Jantar de Sócrates no dia do debate P/C)         (Biblioteca particular)

Socrates_CM.jpg

 Tabloide.jpg

 

 

CM.jpg

«Sócrates mostra ténis Prada de 420 euros

Ex-primeiro-ministro exibe calçado durante jantar com amigos»

 

... e do riso:

«SETE COISAS QUE SÓ NÓS É QUE VIMOS NA FOTO DE SÓCRATES (E UMA QUE AINDA ESTAMOS A INVESTIGAR)

Depois de uma semana a investigar uma piza, o país está agora a perscrutar uma fotografia. No Expresso fizemos como mandam os livros de gestão e os manuais de jornalismo: esperámos alguns dias, reunimos os melhores recursos, cruzámos fontes e referências e pensámos fora da caixa. Os resultados são tão surpreendentes que os Painéis de São Vicente são agora uma coisa de crianças. Vamos ao mergulho autocrítico.

O ALINHAMENTO MÍSTICO

1. Os convivas estão alinhados exatamente como os célebres menires megalíticos de sous le pavés la plage, cuja localização ninguém conhece, apesar da busca incessante dos Templários. A única imagem existente dos célebres menires foi desenhada a sangue por um dissidente do Papado de Avinhão, quando agonizava depois de ser envenenado por um enviado de Roma. Alguns hackers suecos garantem que estes menires foram avistados por uma nave espacial russa numa noite em que John Carpenter estava a filmar o Assalto à 13ª Esquadra.

UM LIVRO RARO E SUSPEITO

2. Na terceira prateleira, quando se olha da direita para a esquerda, há uma edição rara do Talmude, muito procurada por alfarrabistas, místicos e conspiradores e cujo único exemplar conhecido foi transacionado no Alibaba por 500 mil dólares, através de uma conta domiciliada em Hong Kong, num prédio mesmo ao lado do hotel onde Edward Snowden deu a entrevista a Laura Poitras. Há suspeitas de que o mesmo exemplar tenha sido visto em Dallas no dia em que John Kennedy foi assassinado.

A IMPORTÂNCIA DOS TRÓPICOS

3. Na segunda prateleira, os Tristes Trópicos de Lévy-Strauss estão lado a lado com o Trópico de Capricórnio de Henry Miller, o que segundo a psicanálise contemporânea revela que alguém naquela mesa tem um forte complexo edipiano ou nunca aceitou a relação de Tony Soprano com a sua analista. A existência de tantos trópicos pode indicar que algum dos convivas quer fazer como Gauguin e rumar aos mares do Sul, o que indicia claro perigo de fuga.

O DEDO DE WOODY ALLEN

4. A fotografia, quando passada a preto e branco e tratada com o quarto filtro do Instagram, revela, quando vista nos novos ecrãs do novíssimo iPad Pro, um grão parecido com o de uma cena fundamental do Manhattan, sobretudo o olho esquerdo de Vitalino Canas. Essa cena de Woody Allen é a antecâmara de uma discussão conjugal e de uma série de desaires amorosos, o que não prenuncia nada de bom para os convivas. Esta experiência semiótica e mística funciona como uma epifania quando ouvida ao som de I've got a crush on you, de Ella Fitzgerald, como os cinéfilos sabem.

O 11 DE SETEMBRO

5. A fotografia foi tirada a 11 de setembro! Esta ninguém tinha descoberto, mas os convivas só acabaram de ver o debate após a meia-noite de dia 10, depois de deitarem a baixo um leitão, uma feijoada à transmontana e a piza que Paulo Campos disse não prescindir. A CIA e o Mi6 ligaram de imediato para o SIRP, que incrivelmente não tinha detetado esta estranha coincidência, apesar de estar a investigar dois paquistaneses que chegaram ao Bairro dos Atores, via grutas de Tora Bora.

O PROTOCOLO DOS SÁBIOS DE SIÃO

6. Um jantar regado a água mas com uma rolha em cima da mesa é uma maldição que todos os benfiquistas conhecem. A célebre frase de Bela Gutman sobre o clube da Luz foi proferida exatamente no final de uma refeição em que só se bebeu água, mas em que estava uma rolha de cortiça sobre a toalha imaculada. Além disso, há investigadores que garantem que os Sábios de Sião deixam rolhas avulsas em cima de toalhas de mesa para comunicar entre si, enquanto se preparam para dominar o mundo numa conspiração judaica e maçónica, de que este jantar faz claramente parte.

A SEQUÊNCIA DE FIBONACCI

7. É estranho que ninguém tenha descoberto até agora que o facto de estarem sobre a mesa 12 copos e de só haver 9 comensais é uma forma de distrair os jornalistas e curiosos da sequência de Fibonacci que está escondida na imagem. As sequências de Fibonacci formam um espaço vetorial com as funções F(n) e F(n + 1) como base, e começam normalmente por 0 e 1, na qual cada termo subsequente (número de Fibonacci) corresponde a soma dos dois anteriores. Ou seja, 0, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, e por aí fora. Como podem ver, nem o 9 nem o 12 fazem parte desta maravilhosa sequência matemática. Mas o Expresso descobriu tudo, ora vejam: 1 rolha, 2 garrafas de água, 3 quadros na parede, 5 prateleiras, 8 homens, os braços de André Figueiredo tentam fazer as 13 horas, 21 livros da Coleção Mistério dos Livros do Brasil com capas de Lima de Freitas na estante, 34 é o número seguinte da Abade Faria, José Lello gritou 55 vezes durante o debate, etc.

BREAKING BAD NA LENTE DE LELLO

8. Este é o ponto que ainda estamos a investigar e que tem a ver com o reflexo da lente esquerda de José Lello. Esta descoberta pode estar para a fotografia jornalística como as Meninas de Velasquez estão para a pintura, sobretudo desde que Michel Foucault se debruçou sobre esse maravilhoso quadro. Podemos garantir que naquela lente há um reflexo de Walter White e quase garantimos que é o da terceira temporada. E nós somos fortes em Breaking Bad, acreditem. Vamos dando notícias, mas já fica aqui muito para pensar.»

Ricardo Costa. Expresso.

 

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Publicado por Fernando Delgado às 01:26
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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2015

Realidade virtual

Seixas da Costa descobriu tarde a realidade de uma parte muito significativa do chamado turismo rural e turismo de habitação em Portugal. Aqui fica o texto, sem comentários:

 

«Há tempos, um amigo referia-me o facto de ter pretendido obter alojamento em algumas pequenas unidades hoteleiras da Região do Douro e ter verificado que muitas delas não dispunham de quaisquer lugares vagos, fosse para que data fosse. Disse-me ter-lhe acontecido o mesmo em algum turismo de habitação e turismo rural, já noutras regiões. E explicou-me que isso não ocorria apenas no verão, como seria natural, mas ao longo de todo o ano.
 
Congratulei-me, naturalmente, com o facto da nossa ocupação hoteleira viver um período de alta, de haver uma crescente procura de zonas do país que fogem ao conceito do "sol e praia". Muitos estrangeiros estavam, por fim, a perceber que, neste canto da Europa, existe a oferta de um produto turístico de qualidade, com diversidade cultural e monumental, servido por uma excelente rede viária, muito pouco "viciado" no modelo de exploração intensiva que "matou" outras regiões, com espaços naturais preservados, com uma diversidade gastronómica e vinícola muito rara, tudo isto cumulado por um acolhimento pessoal quase sempre de grande simpatia. Graças também a fatores externos que nos ajudam, Portugal está "na moda" e é preciso apoiar e estimular esse movimento.
 
Esse meu amigo logo arrefeceu, contudo, o meu entusiasmo. De facto, tudo isso era verdade, só que muitas dessas pequenas unidades hoteleiras, afinal, estavam, na prática, vazias. Vazias? Ao que ele constatou por mais de uma vez, ao contactar mais de perto muitos desses espaços, alguns proprietários mantêm essas unidades sem a menor utilização turística, ficcionando a sua ocupação apenas para justificarem os fundos que receberam para a construção ou remodelação das casas.
Ao longo das últimas décadas, já tinha ouvido falar de casos semelhantes: solares, casas antigas e muitas unidades de turismo rural cuja reconstrução tinha sido feita com dinheiros públicos (sim, porque as verbas da União Europeia são verbas públicas), numa ajuda que tinha como contrapartida obrigatória aumentar a oferta hoteleira regular mas que, na realidade, apenas serviram para alguns "empocharem" essas ajudas, comporem as habitações e, depois, manterem-nas comodamente vedadas ao uso turístico.
 
A pergunta que eu faço é muito simples e gostava de para ela poder ter uma resposta de quem de direito. É feito um acompanhamento do modo como as casas que foram construídas ou remodeladas com fundos públicos cumprem a sua obrigação de se manterem permanentemente abertas à utilização de potenciais utentes? São feitas inspeções regulares sobre as taxas de ocupação? É que se casas estão sempre assim tão "cheias", então quero crer que a receita fiscal deve ser bem significativa. Ou não?»
 
Francisco Seixas da Costa. Pensão completa? 
 
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Terça-feira, 8 de Setembro de 2015

O sapo e o escorpião

Há problemas graves na agricultura..., e há também muitas formas de os revelar. O interesse deste texto não está tanto na revelação desses problemas, e muito menos na sua análise, mas na imaginativa abordagem baseada em duas conhecidas fábulas:

 

«O sapo, o monge e o escorpião

Há algum tempo atrás, alguém que conhece bem os relacionamentos na cadeia de valor da produção agro-alimentar fez uma interessante comparação da realidade actual com uma antiga história, cujo autor desconheço:

"Era uma vez um Escorpião, que vivia nas margens de um rio. Um dia, depois de uma grande chuvada, a água do rio começou a subir de forma ameaçadora para o Escorpião. Este, ao ver que a água não parava de subir e seguramente iria chegar à sua toca, o que o faria morrer afogado, começou a chamar um sapo que descansava numa pedra e pediu-lhe para o transportar nas suas costas até à outra margem. O Sapo disse-lhe que não, porque sabia que o Escorpião lhe picaria e lhe provocaria a morte. Mas o Escorpião, com toda a sua capacidade de argumentação, lá convenceu o sapo a transportá-lo e assim aconteceu. Quando iam no meio do rio, o Escorpião picou mesmo o Sapo, envenenando-o. O sapo, antes de morrer ainda teve tempo de perguntar ao Escorpião: "- Porque me picaste? Agora morreremos os dois!". O Escorpião, respondeu ao Sapo, dizendo-lhe apenas: " - Está na minha natureza"".

Esta história é uma boa comparação com a realidade de quem precisa dos fornecedores mas vai "ferrando" reduções de preços, sem se importar com o aumento de custos de produção, nomeadamente os custos de alimentação animal e a consequente insustentabilidade das explorações agro-pecuárias.

Por outro lado, sendo um alerta sério e realista, a história tem um final trágico, diferente de uma outra história do escorpião, de autor também desconhecido:

"Um Monge e seus discípulos caminhavam por uma estrada, quando viram um escorpião a ser arrastado pelas águas. O Monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e agarrou o bicho. Quando o trazia para fora, o escorpião picou-o e, devido à dor, o homem deixou-o cair novamente no rio. Foi então à margem e socorrendo-se de um ramo de árvore, entrou no rio, segurou o escorpião e salvou-o sem ser picado. Os discípulos, que assistiam perplexos à cena, perguntaram-lhe então porque salvara o animal se, afinal de contas, ele tinha sido mau para ele ao picá-lo. O Monge ouviu tranquilamente os comentários e respondeu: "Ele agiu conforme sua natureza, eu de acordo com a minha, e não permiti que a sua natureza mudasse a minha."

Que lições podemos tirar destas histórias?

O primeiro caso é um bom exemplo da "lei da selva" que é o capitalismo selvagem, sem regras, onde se espera que funcione a "mão invisível do mercado"; Já sabemos que não funcionou na área financeira, mas deixamos agora avançar a especulação nos mercados de matérias-primas para a alimentação animal e a jusante o domínio da grande distribuição como porteira do consumo alimentar;

Repare-se também que o sapo sabia o que faria o escorpião mas deixou-se levar pela conversa sem tomar precauções; é esta a realidade de muitos que produzem mas não se organizam e mobilizam para se proteger. Em sentido contrário, o monge aprendeu com a primeira agressão e usou o pau como arma para defesa pessoal e também protecção do escorpião cujo mal acabaria por provocar danos fatais a si próprio; do mesmo modo, quem asfixia a produção e/ou transformação, destrói a capacidade produtiva de quem lhe fornece matérias-primas essenciais e, de forma indirecta, a economia local e a capacidade de consumo, acabando como vítima das próprias acções.

No mundo actual, os "sapos" não podem evitar os "escorpiões" na travessia do rio que separa a produção do consumo; A sua companhia é inevitável mas não pode ter o final trágico da história.

Não se espere que os escorpiões, por si, se auto-regulem. É da natureza humana e da economia livre procurar o máximo lucro, comprar o mais barato possível, conquistar a máxima quota de mercado, procurar sempre o crescimento, que se não for possível à custa do consumidor ou da concorrência irá ocorrer asfixiando o produtor. Por isso, compete ao Estado e concretamente ao Governo regular o mercado de modo a evoluir da lei da selva para uma sociedade humana, equilibrada e sustentável, com partilha de esforços e resultados entre produção, indústria e distribuição. Sabemos que não é uma tarefa fácil e exigirá a paciência e persistência de monge, mas terá de ser feita com urgência. Tenhamos fé mas façamos força!»

Carlos Neves. O sapo, o monge e o escorpião. AGROPORTAL.

 

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Patilhar
Segunda-feira, 7 de Setembro de 2015

A força das imagens

Junho de 1972 e Setembro de 2015. Kim Phúc e Aylan Kurdi. Vietnam e Síria.

A gerra

a intolerância

o absurdo

e a fragilidade humana...

vietnam.jpg

migrantes.jpg

 ... perante o egoísmo de alguns países europeus.

Mas também, ou sobretudo,

os anafados e inchados vizinhos árabes

que acham que não têm nada a ver com esta tragédia.

abudhabi.jpg

 

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Patilhar
Domingo, 16 de Agosto de 2015

As esmolas do BPI e...

... os insondáveis desígnios do senhor.

IMG_8842.jpg

Sameiro, Braga.

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Segunda-feira, 6 de Julho de 2015

«»

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 ... mais que mil palavras!

 

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Patilhar
Domingo, 5 de Julho de 2015

... mas a p.d.r.

Emprestado daqui. Sem juros...

 

«Falemos de patriotismo.

Imaginemos 1640 e os conjurados, imaginemos 1765 e os colonos americanos, imaginemos 1940 e os franceses que ouviam a palavras de Pétain após a capitulação, tudo situações muito diversas, mas com uma coisa em comum. 

Os portugueses, os colonos americanos e os franceses, todos ouviram as mesmas palavras, todos ouviram os mesmos sábios conselhos, todos escutaram apelos à razão, à realidade, ao realismo, à sensatez, à passividade, à prudência, ao respeito por quem manda, à ordem estabelecida. Todos também ouviram algumas ameaças: deixem-se estar quietos porque as consequências serão terríveis, não tenham veleidades que não vão conseguir alguma coisa, as coisas são como são, a realidade é muito forte e quem a contestar verá cair-lhe sobre o corpo toda a força dos poderosos. 

A realidade. Falemos da realidade. Ou, como dizem alguns neo-filósofos da direita, que confundem ignorância com desenvoltura e topete, a p.d.r., a p…. da realidade que atiram à cara dos que dizem que há alternativas. 

Isso é tudo muito bonito, dizem, muito solidário, muito nobre,  mas e a p.d.r.? 

Vamos pois devolver-lhes a realidade com juros. Com juros como os da Grécia.

Havia algo de pior do que a realidade, do que a que existia em 1640, 1765 e em 1940? A realidade em 1640 eram os Filipes e Miguel de Vasconcelos, em 1765 eram os casacas vermelhas e os seus mosquetes, os barcos de Sua Majestade Jorge III e os mercenários do Hesse e. em 1940, as tropas do Reich de 1000 anos mais a Gestapo, a que em breve se juntaram as milícias e a polícia francesa. 

Em matéria de p.d.r. é difícil haver melhor. Os tecnocratas da troika e os seus mandantes políticos são anjinhos comparados com estes mandatários da realidade. Da p.d.r.

 Mas não chegou, não era assim tão realidade como isso, havia, como há sempre, outras realidades, as que nós fazemos. 

A Duquesa de Bragança queria ser rainha pelo menos por um dia e, como nestas coisas as mulheres costumam ir à frente, disse ao seu homem para conspirar. A realidade ameaçava-lhe separar a cabeça do corpo, mas ele e os 40 conjurados acabaram por enviar Miguel de Vasconcelos pela janela a bombar e devolver à origem a outra Duquesa, a de Mântua. A I República, e bem, resolveu que o 1º de Dezembro tinha que ser feriado e os nossos patriotas de bandeirinha à lapela, acabaram com ele. É que os conjurados deviam ser radicais e do Syriza. 

A realidade devia dizer ao senhor Benjamin Franklin que podia fazer uma startup  com os seus para-raios, a John Adams que podia ser um bom advogado de negócios de Boston, ao senhor Hamilton um eficaz administrador colonial, ao senhor Jefferson um scholar erudito, ao senhor Washington um bom agricultor e a mil e um dos “pais fundadores” que podiam ser apenas...  pais. 

Mas a outra realidade disse-lhes que “no taxation without representation”, e que o Parlamento inglês não devia mandar nos colonos americanos que não o elegiam. O resultado é que o chá foi para o fundo do Porto de Boston e apareceram umas bandeiras com uma víbora e que diziam: “não me pises”. “Não me pises”, foi assim que foi fundado esse tenebroso país esquerdista e irreal, os EUA. 

Em 1940, - quanto mais perto de nós, mais a realidade é dura, -  o que é que Pétain disse aos franceses? Aceitem a realidade. E a realidade é a ocupação alemã. E quais são os interesses da França? Colaborar com o ocupante, ser bom aluno da Nova Ordem Europeia e fazer o sale boulot dos alemães: perseguir os judeus, executar os resistentes, combater ao lado das SS. Era o “trabalho de casa”. 

Mas havia em França uns irrealistas criminosos, um radical esquerdista chamado De Gaulle que foi para Londres apelar à revolta contra a realidade. Franceses tão radicais como ele, como Jean Moulin, e franceses menos radicais do que ele, os comunistas depois do fim do Pacto Germano-Soviético, começaram a trabalhar contra a realidade. E depois foi o que se viu. 

 Amigos, companheiros e camaradas 

Eu gosto do meu país. É o meu povo, a minha língua, as minhas palavras e as dos meus, falem "assim" ou "axim", digam "vaca" ou digam "baca", digam "feijão verde" ou "vagens".  Portugal é, ou devia ser, o único sítio onde o meu voto manda. Mas o meu voto manda cada vez menos. Como para os revolucionários americanos, também no meu país, há “taxation without representation”. Também no meu país há colaboração, submissão, diktats, Também no meu país, a realidade é feita de mentiras. 

É por isso que o destino dos gregos não me é indiferente, bem pelo contrário. 

Não quero saber se o governo grego está a fazer tudo bem ou não. Não quero saber se Varufakis é arrogante ou não. Nem, verdadeiramente, o meu julgamento sobre os gregos está dependente de eles terem sucesso ou não. 

O que eu sei é que houve um governo na União Europeia que resistiu a cortar mais salários e pensões a quem já tinha visto salários e pensões cortadas. 

Podem falhar, mas resistiram. 

O que eu sei é que houve um governo que quis defender o seu país de ser controlado por estrangeiros e por uma burocracia transnacional de tecnocratas pedantes que detestam a democracia e “esnobam” dos políticos.  Os "adultos" que estão na sala.

 Podem falhar, mas resistiram.

O que eu sei é que houve um governo que quis ser fiel às suas promessas eleitorais e que não quis ser uma versão grega do Senhor Holande, nem dos socialistas que acham que são membros suplentes do PPE.

 Podem falhar, mas resistiram. 

Não sei se isto é de esquerda ou de direita, sei que isto é ser um bom grego. E isso é um exemplo que nós queremos seguir, para sermos bons portugueses, que gostam do seu país e do seu povo. 

Perante uma realidade iníqua há um valor moral em tentar criar outra realidade que não comece por p..

Se há coisa que a história mostra é que vale a pena.»

José Pacheco Pereira. Abrupto.

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Publicado por Fernando Delgado às 23:38
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Patilhar
Segunda-feira, 29 de Junho de 2015

19-1=18

Um conto de crianças:

- Estavam 19 pardais numa árvore. Fisguei um. Quantos ficaram?

- Cavaco: ficaram 18!

- O menino Carlinhos: não ficou nenhum. Os outros voaram!

(conferir aqui)

images.jpe

 

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Publicado por Fernando Delgado às 22:57
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Patilhar
Quinta-feira, 18 de Junho de 2015

Cavaco, «o aliviado»

 ... em pleno alívio...

Resultado de imagem para cavaco silva

 

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Publicado por Fernando Delgado às 23:59
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Patilhar
Sábado, 6 de Junho de 2015

o papalagui

... quero fazer referência a um Blog!

 

O Blog é o papalagui e tem como subtítulo as andanças da bibliomóvel por estradas,terras e gentes de proença-a-nova.

 

É simples e claro: pequenas notas no rodapé de fotografias de lugares em que não é suposto haver gente, quanto mais leitores. Mas há, e é bom olhar aquelas ruas, aquelas terras e aquelas gentes à volta ou dentro do bibliomóvel.

 

No livro o papalagui, de Erich Scheurmann (trata-se de uma recolha dos discursos de um chefe aborígene samoano), a determinada altura, o chefe aborígene diz que uma das muitas coisas que tornam o papalagui mais pobre é o facto de ele ser capaz de ter tantos objectos embora nunca precise deles. Acrescento eu, que há objectos de que sempre se precisa, porque se partilha o que neles se diz: os livros!

Proponho-vos uma visita a este papalagui.

 

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Publicado por Fernando Delgado às 01:44
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Patilhar
Domingo, 17 de Maio de 2015

Idiotas

Picasso.php

«A cadeia televisiva norte-americana escondeu parte da obra “As Mulheres de Argel” e está a provocar grande indignação entre pintores e peritos de arte. O quadro tornou-se esta semana no mais caro de sempre em leilão, ao ser adquirido por 179,3 milhões de dólares. 

"Sexualmente doentes". É o que alguns críticos e apreciadores de arte têm chamado aos jornalistas e editores da estação televisiva Fox News, frequentemente criticada por tomar opções editoriais de cariz conservador.

Desta vez, a televisão optou por apagar totalmente os seios das personagens representadas em três locais de Les Femmes d’Alger, quando noticiava a venda recorde da obra de Picasso, por parte da leiloeira Christie’s, na passada segunda-feira, em Nova Iorque.

Para além de cobrir de forma notória a anatomia das mulheres retratadas, a Fox News enquadra a obra de arte de maneira a esconder outras formas que considerou potencialmente ofensivas no mesmo quadro. [...]»

Ler aqui.

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Publicado por Fernando Delgado às 02:02
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Patilhar
Sexta-feira, 15 de Maio de 2015

B. B. King

BBKING.php

 Foto retirada  daqui. 

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Patilhar
Terça-feira, 12 de Maio de 2015

A humilhação grega

De acordo com as notícias de hoje, entre empréstimos ao fundo, obrigações do tesouro e títulos de curto prazo, os vencimentos de dívida previstos até ao final do ano atingem os 26.250 milhões de euros. E acrescenta a notícia que em Junho, Julho e Agosto, o montante da dívida que vence é significativo e as datas de pagamento são muito próximas umas das outras. Só nesses três meses, são cerca de 11.500 milhões de euros.

É assim a democracia nesta Europa do euro: tens dinheiro, podes eleger quem quiseres! Não tens dinheiro: esquece quem eleges, esquece essa treta da democracia! É este o novo paradigma da globalização.

Um paradigma que se sustenta na humilhação. Queres um empréstimo? Baixa os salários, as reformas e os apoios sociais, privatiza as empresas, liberaliza o mercado de trabalho, numa palavra: empobrece!

O que é espantoso é que se chegou aqui, a este estado de coisas, depois de quatro anos de políticas de baixa de salários e reformas, de privatização de empresas e de liberalização do mercado de trabalho. Depois de quatro anos de empobrecimento. O povo grego disse nas urnas o óbvio - esta política falhou! Mas isso não serviu de nada!

Manda quem tem dinheiro, como diz o Medina Carreira. Sorri hipócrita a inefável Maria Luís, escondendo atrás do biombo uns milhares de milhões que nunca ninguém conseguirá pagar. Mas sorri! Dizem-me alguns patéticos políticos do burgo que isto era o melhor que poderia ter acontecido: já não somos os últimos, temos alguém que nos esconde e mesmo que isto prova que fizemos o que era adequado fazer! Coitados, nem conseguem perceber o ridículo da argumentação, a pequenez de um mundo que não ultrapassa a sombra no chão que pisam. 

Um dia isto terá um fim, mas por agora é conveniente ir alongando o tempo, encostar à parede o mau aluno, por-lhe umas orelhas de burro e, humilhação consumada, dar-lhe três vinténs ou, muito simplesmente, um pontapé no cú.

A humilhação não fazia parte do manual político dos países democráticos, mas está rapidamente a transformar-se num finíssimo e elegante procedimento diplomático. À mesma mesa, entre um sorriso e um olhar cândido sobre os óculos falsamente míopes, se diz diplomaticamente ao parceiro da frente: empobrece ou morre! Assim, simplesmente, mas com classe!

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Publicado por Fernando Delgado às 00:43
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Patilhar
Segunda-feira, 27 de Abril de 2015

«Comunicação»

(Contributo para um manual de desconstrução do discurso político)

 

«Sempre que há um bom número, falam 10 ministros e secretários de Estado, com as câmaras de televisão atreladas. Agora fala também o Presidente. Mais o primeiro-ministro, a ministra das Finanças, o ministro da Economia, o homem dos chapéus todos, Paulo Portas, e, por fim ou ao princípio, Marco António e Marques Mendes. Falam pelo menos em três ocasiões diferentes da mesma coisa. Como não podia deixar de ser, cada bom número é um gigantesco sucesso, mesmo que não se repita no mês seguinte.

Quando há números assim-assim arranja-se uma comparação estatística que os torne bons números. Fazem-se as comparações convenientes e esquecem-se as mais rigorosas. Compara-se muitas vezes o incomparável. As séries mudam, umas vezes para começar em 2008, outras em 2011, outras na década anterior. Falam os ministros mais habilidosos no exercício, a começar por Paulo Portas, que até um mau número torna num bom número.

Quando há números maus, ninguém fala, só a oposição e de preferência no contexto parlamentar, para a tornar ainda mais politiqueira. O ministro Mota Soares nunca fala.

A isto chama-se propaganda, mas a palavra agora não se usa. Chama-se "comunicação".»

 

JPP. Abrupto.

 

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Publicado por Fernando Delgado às 00:42
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Patilhar
Sábado, 25 de Abril de 2015

Abril

Ainda e sempre «o dia inicial inteiro e limpo», de Sophia.

Ainda e sempre a liberdade!

IMG_3257.jpg

Aveiro. (Canon EOS 400D; Sigma 18-200 mm; 1/200 s; f/6,3; ISO 400; 162 mm)

 

Publicado por Fernando Delgado às 00:47
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Patilhar
Terça-feira, 21 de Abril de 2015

Lampedusa

«Se os barcos à deriva ou naufragados transportassem petróleo já tinha sido convocado o conselho de segurança da ONU e iniciado o bombardeamento de um qualquer país», desabafo no Facebook de alguém de quem não tomei nota...

(Há coisas para as quais as explicações nunca são suficientes, por mais racionais que sejam os argumentos sobre a interpretação da realidade. Os factos, estes factos, não precisam de muita explicação - a vergonha é suficiente para nos deixar sem palavras, mesmo que sussurradas num desabafo...) 

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Publicado por Fernando Delgado às 01:13
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Patilhar
Sexta-feira, 10 de Abril de 2015

Miró

joan-miro-the-red-sun.jpg

«[...]

O Ministério Público (MP) pede a condenação de todos os envolvidos no processo da venda das 85 obras de Miró do ex-Banco Português de Negócios (BPN) e a impugnação do arquivamento da classificação da colecção, segundo as acções interpostas.

O Ministério das Finanças, o secretário de Estado da Cultura, o director-geral do Património Cultural, as sociedades Parvalorem e Parup's assim como a leiloeira Christie's são visadas numa das acções; a segunda acção pede a impugnação do arquivamento da classificação das obras. [...]»

Ler notícia completa aqui.

 

Daqui a uns anos (poucos, muito poucos!...) ninguém sabe quem são os cinzentões que estiveram por detrás deste negócio, mas Miró e as suas obras continuarão por muitos, muitos anos... É esta perenidade, esta chatice de quase eternidade de umas telas coloridas, escandalosamente simples e também por isso só ao alcance de alguns, que é insuportável para quem se acha muito importante e que afinal não passa de um idiota cheio de poder como um balão cheio de ar...

Como de costume, isto não vai dar em nada. Também já não importa!

 

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Publicado por Fernando Delgado às 01:28
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