Quarta-feira, 25 de Julho de 2012

"Os Senadores" da treta

(A pior coisa que pode acontecer a alguém é adoecer, obrigá-lo a estar em casa, a ver televisão... É como olhar o mundo através duma janela opaca!)

 

A SICNotícias criou um programa - Contracorrente - em que convida individualidades a que chama "Senadores", provavelmente na tentativa de criar opinião pública a partir de personalidades de indiscutível qualidade intelectual... Admito que sim, que nesta perspectiva são de facto Senadores...

 

Os Senadores de hoje foram Manuela Ferreira Leite e António Barreto. Não quero imitar o Mário Castrim, mas sobre os dois temas que me interessaram e que ouvi com atenção, apetece-me dizer que melhor fora se estivessem calados, tal a inutilidade e banalidade dos comentários.

 

Na questão dos fogos, ou dos incêndios florestais (até nos termos há alguma confusão), A. Barreto recorreu ao "seu" gráfico da PORDATA (os dados estão disponíveis em diversos sítios, mas sobretudo no site da AFN) para mostrar a evolução dos incêndios, com referências desconexas ao cadastro que não existe, à propriedade florestal privada e pública, à semelhança com outros países mediterrânicos e só esses, aos bombeiros que diminuiram nos últimos 15 anos, a que Manuela F. Leite acrescentou o parcelamento da propriedade florestal.

 

Lamentável este rol de pequenas coisas que em conjunto não significam nada. Inqualificável a ligeireza com que tratam uma questão nacional (ou um problema que afecta um país do ponto de vista económico, social, ambiental e territorial não é uma questão nacional?) através de dois ou três comentários que poderiam ser respigados de inúmeros telejornais dos últimos 30 anos. Sei que nestes programas não se analizam grandes problemas, quaisquer que eles sejam, mas então que se limitem a dizer: isto é uma questão menor, sem solução no curto prazo, há coisas mais importantes a fazer! A qualidade de Senadores deveria impedi-los de descer a este nível de mediocridade.

 

Na questão da educação, retenho apenas a afirmação  de A. Barreto (cito de cor a idéia) de que o Ministério deveria sair das escolas, deixando que elas façam a sua própria gestão, com a vantagem de deixar de haver um patrão ( o Ministério da Educação, ou o Ministro) e cair assim o alvo dos sindicatos. Numa teoria da conspiração, diria que o que A. Barreto propõe é a eliminação do patrão (Ministro da Educação) através da criação de inúmeros patrões (gestores das escolas), libertando assim o Sr. Ministro da enorme chatice de aturar os sindicatos. Diria que se trata de uma técnica de guerra (nas guerras modernas, tecnológicas, sobre o cenário de batalha anda sempre um avião com uma enorme parabólica a criar falsos inimigos...) ou, numa versão mais comezinha, numa técnica de confusão sexual muito usada em agricultura com os palermas dos insectos...

 

Mas esta questão é mais séria! Como não acredito que A. Barreto seja ingénuo ao ponto de pensar que num país como Portugal se pode criar uma verdadeira autonomia na gestão das escolas (a Suécia é tão longe), deduzo que o que ele de facto defende é o alinhamento da gestão escolar pelos padrões da gestão partidária. Ou alguém acredita que no dia em que um gestor de uma qualquer escola  possa escolher os professores (do 1º ao 12º ano), essa escolha se fará pela qualidade dos mesmos? Querem exemplos nesta e noutras áreas? Querem mesmo?...

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Publicado por Fernando Delgado às 00:22
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