Quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

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Estamos na fase final da queda dos políticos que vieram do nada e paulatinamente subiram nas hierarquias partidárias (sabe-se lá como), acabando eleitoralmente despedidos para uma qualquer empresa de influências e proveitos públicos. Restam poucos, mas ainda os suficientes para se temerem uns bons anos de complicadas e compulsivas compensações de favores.

Mas as coisas estão a mudar. Já não se trata de gente sem pedigree e sem estatuto genealógico como foram os boçais “amadores do ofício” Oliveira e Costa, Dias Loureiro e Armando Vara, entre outros, ou de geniais gestores da “piscina do tio patinhas” como João Rendeiro (ironicamente autor do profético livro «João Rendeiro, Testemunho de um Banqueiro»), para não alongar a lista de ilustres seguidores da mais desmedida ambição pessoal.

(Um parêntesis para sublinhar que a ambição é uma característica e não necessariamente uma qualidade. D. Sebastião foi provavelmente um dos mais ambiciosos portugueses de sempre e ainda lá anda, coitado, de espada afiada de ambição a matar infiéis…)

Mas dizia, que já não se trata de gente sem pedigree, sem estatuto genealógico. Não, nada disso. Espirito Santo, Zeinal Bava, Granadeiro, pertencem a outra estirpe. São de outro estatuto, têm muitos “genes genealógicos” (um gene genealógico é um clone, não tem nada de novo, limita-se a reproduzir o passado) ou uma longa colecção de titulos honorificos («o melhor gestor a nível europeu da área das telecomunicações», de Zeinal Bava - pobre Europa!), master’s, pós-graduações, Ph.D., de preferência com carimbos católicos e uma passagem pela “escola da vida” da Goldman Sachs.

Só me importam estes ilustres gestores do efémero porque todos eles tornaram este país mais pobre, mais triste, temo que mais efémero também. Só me importam porque têm seguidores cada vez mais experientes, mais dissimulados, mais profissionais – a gestão política dos últimos anos só reforça esta ideia e as consequências são catastróficas: onde estão e de quem são o BES, o BPN, a PT, a EDP, os Correios, a GALP, a REN, a Cimpor, etc.? O que se segue nesta imensa lista - será que vão chegar às Desertas e às Berlengas?

Será que é mesmo preciso recomeçar do nada?

Publicado por Fernando Delgado às 02:00
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Fernando Delgado

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