Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2016

mim

Não, não sou poeta! As palavras são duras, cheias de arestas e limito-me a colocá-las ao lado da intransigência dos sentidos, sem o necessário polimento da memória - roubo-as não sei onde (minto propositadamente - às vezes sei e também sei para que as quero!) e com mãos inseguras atiro-as como pedras lançadas aos pássaros (acerta, não acerta?!, normalmente não acerta, mas nem isso é importante).

Não, não sou pintor! Espalho tintas sobre telas como quem atira água sobre rosas brancas à espera que se tornem vermelhas (muitas vezes consigo perceber um ligeiro e inesperado perfume, mas as rosas brancas continuam brancas...). Às vezes as cores e os perfumes surpreendem-me, mas só eu posso perceber isso, o que nunca chega para tornar uma tela colorida numa pintura.

Não, não sou fotógrafo! Apontar e disparar não é suficiente para captar a realidade e muito menos percebê-la (a luz nem sempre me ajuda a ver melhor).

Sim, sou um leitor de mil palavras, um ouvinte de algumas canções e um apreciador de muitos vinhos (sim, e tintos de preferência). Sim, gosto da espuma dos dias (sim, sim, gosto de coisas inúteis). E do silêncio, e da solidão…

Sim, sou pescador e já fui caçador (a morte é desinteressante, mas só agora descobri isso).

(A que propósito escrevo eu sobre mim?)

 

Publicado por Fernando Delgado às 01:25
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