Quarta-feira, 3 de Julho de 2013

Lacraus

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É conhecido que, não raramente, o lacrau macho é devorado pela fêmea após os momentos de namoro, de dança nupcial, de acasalamento, que tem lugar durante os meses mais quentes.

Este comportamento radical dos escorpiões pode ser entendido como o epílogo de qualquer coisa intangível (quando Camões escreveu que “amar é ter com quem nos mata lealdade”, referia-se a quê?), ou simplesmente como um acto de masoquismo gratuito.

É deste masoquismo gratuito, desta forma primária de alimentar um ego sem fim, que me lembro quando olho para a triste figura dos actuais políticos. Não passam de lacraus egoístas, dispostos a dar ou a tirar a vida (os dois actos são moralmente equivalentes) por um ego infinito e mesquinho.

Este ninho de lacraus é vasto e com tendência a crescer. Crescem no poder e, dispensados deste, rapidamente se transferem para qualquer televisão que lhes estenda um microfone, qual aguilhão pronto a despejar veneno no homólogo mais próximo.

Nem é preciso revolver muito a memória. Dos últimos três ou quatro primeiros-ministros nenhum deles resistiu à ferroada das suas próprias hostes, da sua própria família, dos seus melhores amigos. Assim, friamente, depois de um namoro de alguns meses. É um triste destino, um hara-kiri sem sentido, um frenesim apenas compreensível pelo tal ego sem fim, ou muito simplesmente por uma vaidade e hipocrisia insuportáveis.

A imagem que hoje guardo é a de um lacrau a ser devorado por outro lacrau. Não me interessa o motivo, nem me interessa saber que o merecem. Sei que aos "Marcelos", aos "Santanas", aos "Mendes", aos "Menezes", aos "Bagões", às "Leites", aos "Sócrates", aos dispensados que passaram a génios, génios da palavra, qualquer que seja a matéria, se juntarão em breve os "Passos", os "Portas" e outros novíssimos dispensados desta crescente prole de ilustres especialistas do ferrão.

... como nos dois grilos na gaiola que de repente desapareceram , porque muito simplesmente se comeram um ao outro! Que a digestão lhes seja breve...

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Publicado por Fernando Delgado às 00:33
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Fernando Delgado

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