Terça-feira, 28 de Janeiro de 2014

Jovens Agricultores - entre a espada e a parede

São conhecidos os principais factores de sucesso ou de insucesso dos Jovens Agricultores:

  • Atracção/repulsão do rural;
  • Disponibilidades financeiras e apoio institucional;
  • Acesso à terra, origem e experiência profissional no sector;
  • Alteração dos circuitos comerciais;
  • Discurso institucional e comunicação;
  • Alternativas de emprego.

Resumidamente, muito resumidamente é isto, nada de novo, portanto!

Em circunstâncias normais o rural exerce uma repulsão sobre os jovens em contraponto com uma atracção do urbano. Trata-se de um imaginário que traduz a evolução geral das sociedades modernas, extensível à generalidade dos países desenvolvidos e cimentado numa cultura urbana em que as excepções não são mais que exemplos marginais baseadas numa visão romântica e idealista do rural.

O acesso à terra, as disponibilidades financeiras e o apoio institucional, a origem e experiência profissional são aqui puramente instrumentais. Importantes, mas como tudo o que é instrumental, dependentes apenas de algumas decisões minimamente fundamentadas, coerentes e com os meios adequados.

O discurso institucional aliado a uma comunicação eficaz e a um nível de desemprego jovem muito elevado têm efeitos imediatos, embora muitas vezes lamentáveis. A avaliação deste ingresso na agricultura por parte de um número muito significativo de jovens com elevadas habilitações académicas, mas sem rede, é provavelmente um dos estudos mais interessantes para a próxima década.

Deixo propositadamente para o fim a questão dos circuitos comerciais. Não porque seja mais importante ou mais interessante que os restantes - muito pelo contrário!… -, mas apenas porque é um factor que normalmente escapa às análises que vão sendo feitas e, sobretudo, porque permite-me regressar ao título deste post.

De uma maneira crua e fria, como tudo o que tem a ver com os mercados, que apenas traduz esta realidade: quem entra num sector de actividade com o objectivo de atingir rendimentos compatíveis com as suas expectativas (pessoais, mas também regulamentares…) e com as suas naturais necessidades económicas, entre outros, e de repente é confrontado com as regras da grande distribuição e o peso que ela representa ou, em alternativa, com a fragilidade dos circuitos tradicionais, está sem dúvida entre a espada e a parede.

Muito dificilmente se sai duma situação destas pelos próprios meios. Quer porque a espada não se comove com arrufos de juventude, quer porque da parede ressoa um tropismo de inércia. Aparentemente não há saída. Aparentemente só alguns sobreviverão!

Não se trata de um elogio do egoísmo (ou talvez seja!...), mas bons, excepcionais, serão os jovens que entre uma e outra, entre a espada e a parede, se preocupem antes de tudo consigo próprios. Que façam as coisas, porque gostam de as fazer. Que vivam no rural, porque gostam de lá estar, de lá sentir, de lá agir.

Afinal as coisas importantes nem sempre precisam daquilo que à partida parecia imprescindível - comecem por ser felizes, porque sim!

 

(Nota: Para os mais distraídos, isto é um post num blog. Só isso - a análise detalhada deste tema é outra coisa, para outro lugar...)

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Publicado por Fernando Delgado às 00:11
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