Segunda-feira, 27 de Abril de 2015

«Comunicação»

(Contributo para um manual de desconstrução do discurso político)

 

«Sempre que há um bom número, falam 10 ministros e secretários de Estado, com as câmaras de televisão atreladas. Agora fala também o Presidente. Mais o primeiro-ministro, a ministra das Finanças, o ministro da Economia, o homem dos chapéus todos, Paulo Portas, e, por fim ou ao princípio, Marco António e Marques Mendes. Falam pelo menos em três ocasiões diferentes da mesma coisa. Como não podia deixar de ser, cada bom número é um gigantesco sucesso, mesmo que não se repita no mês seguinte.

Quando há números assim-assim arranja-se uma comparação estatística que os torne bons números. Fazem-se as comparações convenientes e esquecem-se as mais rigorosas. Compara-se muitas vezes o incomparável. As séries mudam, umas vezes para começar em 2008, outras em 2011, outras na década anterior. Falam os ministros mais habilidosos no exercício, a começar por Paulo Portas, que até um mau número torna num bom número.

Quando há números maus, ninguém fala, só a oposição e de preferência no contexto parlamentar, para a tornar ainda mais politiqueira. O ministro Mota Soares nunca fala.

A isto chama-se propaganda, mas a palavra agora não se usa. Chama-se "comunicação".»

 

JPP. Abrupto.

 

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Publicado por Fernando Delgado às 00:42
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