Domingo, 8 de Abril de 2012

Bens Ambientais

Porque é importante saber (d)estas coisas, aqui fica um convite a uma leitura ligeira na Naturlink como ponto de partida para outras viagens

 

«[...]

O valor económico de um bem ambiental pode ser dividido em três componentes:

. valor de uso;
. valor de opção;
. valor de não-uso.

 

O valor de uso refere-se ao benefício directamente obtido com a exploração do recurso. Por exemplo, a madeira e lenha retiradas de uma floresta, a água obtida a partir de uma nascente e as receitas turísticas obtidas a partir de uma paisagem especialmente bonita. O valor de uso é facilmente afectado pela poluição e pela degradação da paisagem, entre uma grande série de actividades humanas e causas naturais. A poluição causada pelos derrames petrolíferos provoca uma quebra nas pescas e no turismo, reduzindo directamente o rendimento de muitas famílias. A construção de uma auto-estrada ao longo de uma bela paisagem afastará os visitantes que antes a procuravam.

 

Por outro lado, o valor de opção traduz o valor que a sociedade está disposta a pagar pela manutenção das possibilidades de utilização futura do ambiente. É o que acontece com muitos terrenos, que embora na actualidade não estejam associados ao rendimento de alguém, podem vir a ser explorados (de preferência de uma forma sustentável) e a ter um valor de uso.

 

A última categoria, valor de não-uso, refere-se à vontade da sociedade em preservar o ambiente pelo seu valor intrínseco, independentemente dos usos económicos que lhe podem estar associados no presente ou no futuro. A Rede Nacional de Áreas Protegidas e a Rede Natura 2000, ao nível nacional e da União Europeia, respectivamente, podem ser entendidas neste sentido, apesar da enorme carência de meios que são disponibilizados para a sua manutenção. O valor de não-uso reflecte os valores íntimos e subjectivos que cada pessoa vai construindo ao longo da vida. Deste modo, é perfeitamente plausível que alguém atribua valor a locais longínquos que nunca irá visitar ou a espécies que não conhece, simplesmente porque considera que estes devem, por uma questão de ética, continuar a existir e ser preservados.

 

Adicionando os três valores obtemos a chamada “disposição para pagar” (do inglês, “willingness to pay”, WTP):

WTP = valor de uso + valor de opção + valor de não-uso

 

Enquanto os valores de uso e de opção são quantificáveis de uma forma bastante objectiva, o valor de não-uso é-o de uma forma mais complexa e exige o emprego de técnicas específicas. Esta complexidade resulta, por vezes, em valores discrepantes consoante o método usado. Por este motivo, e apesar dos avanços visíveis neste campo, a avaliação do valor de não-uso é ainda controversa.

[...]»

 

A valoração económica de bens ambientais. Nuno Quental. Naturlink.

 
Publicado por Fernando Delgado às 23:19
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