Domingo, 12 de Outubro de 2014

As loucuras de Berardo

IMG_8069.jpg(Escultura de Breuer-Weil no Buddha Eden - Quinta dos Loridos, Bombarral)

 

De acordo com o próprio Berardo, este Jardim ("Jardim da Paz") surge como reacção à destruição dos Budas Gigantes de Bamyan (sec. VI) no Afeganistão, em 2001, pelo regime talibã.

São  centenas (milhares!...) de esculturas gigantes (seis mil toneladas de pedra) vindas da China e aqui depositadas entre sobreiros centenários e um conjunto de espécies exóticas com dificuldades de "entenderem" o clima local.

Leio de Berardo: “temos que nos respeitar uns aos outros. Há que ter uma participação e ajudar as novas gerações a aprenderem a respeitarem-se mutuamente”, acrescentando que olha este "Jardim como uma plataforma de diálogo com todas as civilizações e, ao mesmo tempo, uma homenagem ao papel que os portugueses historicamente desempenharam no alargar de horizontes do mundo – aquilo a que actualmente se chama globalização. É importante que não se esqueçam que fomos nós que iniciámos o processo”.

 

(A liberdade, a minha liberdade - política, religiosa, moral, cultural, ... -, é a única causa pela qual, se tal fosse necessário, lutaria no sentido físico do termo. Por isso entendo as palavras de Berardo. Mas pensando assim, há coisas - e admito que o problema seja meu -, de que não gosto: tenho muita dificuldade em entender a translocação de símbolos culturalmente bem localizados e datados, mesmo que o motivo invocado seja a irracionalidade talibã e o total desprezo pela liberdade.

Num mundo global é natural que todos nós procuremos entender e conhecer esse mundo, mas já não me parece natural que se peguem em pedaços desse mundo e se coloquem noutro lugar, num lugar culturalmente estranho, sem ligação à sua história... Não se trata de qualquer sentido de pureza da cultura, até porque não tenho nenhuma ilusão acerca dos limites da transacção de bens culturais. É apenas um sentimento que resulta de uma observação intimista: alguns budas pareciam acanhados entre os sobreiros!)

Nota: A Quinta dos Loridos é lindíssima (alguns edifícios são do século XVII) e tem uns vinhos interessantes...

 

Publicado por Fernando Delgado às 23:56
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