Quarta-feira, 16 de Abril de 2014

April showers bring May flowers

Fiquei com a sensação de que não foi uma entrevista a um primeiro-ministro mas muito simplesmente a alguém que lidera reuniões de trabalho às quintas-feiras (não há um discurso político! – opções, rumos, liderança, convicções, mobilização -, mas apenas um enumerar de medidas desconexas com justificações vagamente fundamentadas).

Depois desta entrevista de Passos Coelho a J. Gomes Ferreira, nada melhor que a meteorologia, ainda por cima com um formato educativo…

 

«[…]

Quase todos ouvimos o ditado popular “em Abril, águas mil”. Quase nenhum de nós o questiona. É um saber feito de tempo, saber tácito feito de regularidade passada que teima em se repetir anualmente, pouco tempo depois do equinócio (da primavera) em regiões acima da nossa latitude até ao círculo polar árctico.

Aquele ditado não existe só em terras lusas. Que se encontre também em Espanha não é de espantar. Mas que faça parte da “sabedoria popular” por essa Europa acima, isso já levanta algum espanto (e pede ciência). Encontramos o provérbio em França - "les giboulées de Mars” -, no Reino Unido e Irlanda – “April showers”, "April showers bring May flowers" – e, exemplo nórdico, até na Noruega – “April bygger”.

O fenómeno meteorológico que alimenta o provérbio assenta no aumento do período de luminosidade solar incidente de forma progressivamente mais perpendicular a partir do equinócio da primavera (no hemisfério norte). Isto provoca um aumento progressivo da temperatura do solo, o que causa evaporação da água (mesmo que pouca devido a outonos e invernos menos chuvosos – como foi o caso este ano) retida e presente nos interstícios da terra.

Correntes de ar quente e vapor de água ascendem, aumentando a humidade relativa do ar. Como a temperatura média do ar também subiu, maior quantidade de água passa e fica na atmosfera (maior humidade relativa), prenúncio de nuvens, certezas pluviais. Este movimento, por convecção de ar quente e água (quer no estado gasoso quer no liquído), provoca fenómenos meteorológicos súbitos que nos “estragam” os passeios primaveris, mas que redistribuem a água preciosa, minorando os efeitos de secas nefastas para a maltratada agricultura.

[…]»

António Piedade. Abril, águas mil! Ler na integra em De rerum natura, aqui.

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Publicado por Fernando Delgado às 00:28
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