Terça-feira, 12 de Maio de 2015

A humilhação grega

De acordo com as notícias de hoje, entre empréstimos ao fundo, obrigações do tesouro e títulos de curto prazo, os vencimentos de dívida previstos até ao final do ano atingem os 26.250 milhões de euros. E acrescenta a notícia que em Junho, Julho e Agosto, o montante da dívida que vence é significativo e as datas de pagamento são muito próximas umas das outras. Só nesses três meses, são cerca de 11.500 milhões de euros.

É assim a democracia nesta Europa do euro: tens dinheiro, podes eleger quem quiseres! Não tens dinheiro: esquece quem eleges, esquece essa treta da democracia! É este o novo paradigma da globalização.

Um paradigma que se sustenta na humilhação. Queres um empréstimo? Baixa os salários, as reformas e os apoios sociais, privatiza as empresas, liberaliza o mercado de trabalho, numa palavra: empobrece!

O que é espantoso é que se chegou aqui, a este estado de coisas, depois de quatro anos de políticas de baixa de salários e reformas, de privatização de empresas e de liberalização do mercado de trabalho. Depois de quatro anos de empobrecimento. O povo grego disse nas urnas o óbvio - esta política falhou! Mas isso não serviu de nada!

Manda quem tem dinheiro, como diz o Medina Carreira. Sorri hipócrita a inefável Maria Luís, escondendo atrás do biombo uns milhares de milhões que nunca ninguém conseguirá pagar. Mas sorri! Dizem-me alguns patéticos políticos do burgo que isto era o melhor que poderia ter acontecido: já não somos os últimos, temos alguém que nos esconde e mesmo que isto prova que fizemos o que era adequado fazer! Coitados, nem conseguem perceber o ridículo da argumentação, a pequenez de um mundo que não ultrapassa a sombra no chão que pisam. 

Um dia isto terá um fim, mas por agora é conveniente ir alongando o tempo, encostar à parede o mau aluno, por-lhe umas orelhas de burro e, humilhação consumada, dar-lhe três vinténs ou, muito simplesmente, um pontapé no cú.

A humilhação não fazia parte do manual político dos países democráticos, mas está rapidamente a transformar-se num finíssimo e elegante procedimento diplomático. À mesma mesa, entre um sorriso e um olhar cândido sobre os óculos falsamente míopes, se diz diplomaticamente ao parceiro da frente: empobrece ou morre! Assim, simplesmente, mas com classe!

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Publicado por Fernando Delgado às 00:43
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