Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

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Na vida há um conjunto de restos que vamos largando pelo caminho, às vezes verdadeiros despojos, outras vezes simples pedaços descuidados, quase nada, dependendo da complexidade da encruzilhada ou do tamanho da pedra em que se tropeça. Da mesma forma que o artesão molda a madeira retirando inúmeras raspas que se espalham em redor, assim se aprende a prescindir das coisas..., só não sei se o resultado é mais um passo para a perfeição, ou apenas um lugar onde temporariamente se está bem. Sinceramente, gosto muito mais das raspas do que da obra de arte que restou, porque traduzem uma vontade, um gesto, uma atitude, um percurso, enquanto o resultado final é apenas o recomeço de novas raspas..., isto é, nada. É sempre melhor o caminho que a chegada e é por isso que gosto de envelhecer, mesmo sabendo que cada vez mais esse caminho se faz com um número mais reduzido de coisas essenciais - envelhecer também é a arte de prescindir de coisas inúteis. Esta depuração intelectual não contradiz o quotidiano, limita-se apenas a torná-lo racional. Por isso estou aqui, prescindindo de estar em outro lugar...
Publicado por Fernando Delgado às 00:18
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