Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007

Alain Touraine

"Os operários, por exemplo, quase desapareceram..."
"Não desapareceram. São mais do que se pensa. Em França, um em cada dois lares tem um operário ou uma operária. Representam 25 % da população activa. Já não são é personagem histórica."
"A sociologia deixou-os de parte, levada por outros temas, mais na moda?"
"Não. Observou que o mundo operário e o mundo sindical já não são o actor principal da história. Por um conjunto de razões, entre as quais a fragmentação do mundo operário, o trabalho temporário, os contratos a prazo, a chegada de trabalhadores estrangeiros. O problema que sempre me interessou: quem substituiu os cidadãos de Paris que fizeram a revolução de 1879? Os operários. Quem substitui hoje os operários, como actor central da História?"
"Quem é?"
São as mulheres.
Como? Porquê?
Não as mulheres enquanto mulheres, mas porque, hoje, como vemos no quotidiano, o essencial é a preocupação consigo. Le souci de soi é, de resto, o título de um dos últimos livros de Foucault. Nisso, eu penso como ele."
(...)
"É verdade, a realidade de hoje é a globalização. Hoje há poderes mundiais que não são controlados por ninguém. Há redes. Há mercados. O resultado é o fim do social, pois o social significa uma forma de controlo - através dos impostos, da escola, o que quisermos. Vivemos num mundo em que as instituições sociais estão em crise. A cidade, a política, a escola, a família – tudo está em crise. Porque ninguém consegue controlar esta coisa imensa, salvo, talvez, outra coisa maior – guerras religiosas, jihad contra jihad. O que resta, então?”
“O sujeito?”
Três formas de individualismo: a decomposição do indivíduo (veja-se a juventude de hoje); o comunitarismo (Deus sabe quão importante é, veja-se o Paquistão, a Índia); e o sujeito. Quer dizer: face a este mundo (…), a única força de resistência faz-se em nome do indivíduo e não dos cidadãos, dos trabalhadores. Já não é classe contra classe…”
 
Da entrevista de Alain Touraine ao Público (09-12-2007)
Tags:
Publicado por Fernando Delgado às 01:50
| Comentar post
Patilhar
Fernando Delgado

Pesquisar

 

Posts recentes

Belos dias

A Gente Vai Continuar

Talamou

Dylon

«A realidade é uma opiniã...

«Human»

Outono

MEC sobre Trump

À espera de Godot

De Niro, sem maquilhagem

Guterres

Arturo Pérez-Reverte

Achamentos na Costa Vicen...

(Gente) sinistro(a)

«Someday this war's gonna...

BREXIT (adenda)

Brexit

Carla Bley

A Seiva da Raíz

Regresso à «Tabacaria»

Abril

... às portas do casino

a força da canção ao vivo...

O casino!...

Retrospectivas

Tags

aprender

canções

estórias

interiores

leituras

notícias do casino

outros olhares

peanuts

pintura

rural

todas as tags

Arquivos