Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007

Milagres

“(…)
- Está branco como uma nádega de freira, Daniel. Sente-se bem?
Um hálito invisível varria a plateia.
- Está aqui um cheiro esquisito – comentou Fermín Romero de Torres. – Parece de peido rançoso, de notário ou procurador. (…)”
 
A Sombra do Vento, de Ruiz Zafón
 
Gosto do humor…, mas isto não era para estar aqui. Só está, porque, entre o olhar sobre as páginas e o ouvido na televisão, acabei por fechar o livro (sinal dos tempos…) e prestar alguma atenção à notícia de que haveria algum problema com a santificação dos pastorinhos de Fátima. Coisa menor se não fosse a causa da coisa: os médicos a quem o Vaticano solicitou parecer (tenho dúvidas que estes termos façam sentido numa tal relação, mas esta aliança é já em sim um pormenor importante…), tinham dúvidas de uma pretensa cura de diabetes incuráveis… Enfim, haverá mais pormenores, mas o que me impressiona é esta generosidade (ou condescendência?) da ciência perante o espírito… Bem vistas as coisas, é como se a ciência, de repente, se transformasse numa entidade certificadora de milagres. Em certo sentido, é uma confissão de derrota…
Dizem que Deus não dorme e, pelo andar dos tempos, é bem possível que um destes dias a ciência procure certificar este estado de permanente halitose…
Publicado por Fernando Delgado às 00:22
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Fernando Delgado

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