Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007

Sun Tzu

“Ho-lü disse: ”Li, Senhor, os seus treze capítulos completos. Será capaz de me fazer uma pequena demonstração de controlo de tropas?”
Sun Tzu respondeu: “Sou, sim.”
Ho-lü perguntou: “Poderá a experiência ser feita com mulheres?”
Sun Tzu assentiu: “Pode, sim.”
Concordando, o rei mandou que do palácio viessem cento e oitenta belas mulheres.
Sun Tzu dividiu-as em duas companhias, colocando à frente de cada uma delas uma das favoritas do rei. A todas ensinou como empunhar alabardas. Perguntou-lhes então: Sabeis onde estão o coração, as mãos, direita e esquerda, e as costas?”
E as mulheres afirmaram: “Sabemos.”
Sun Tzu explicou-lhes: “Quando eu der a ordem ‘Em frente’, virai-vos para onde o coração está virado. Quando mandar ‘À esquerda’, voltai-vos para o lado da mão esquerda. Quando mandar ‘À direita’, voltar-vos-eis para o da direita. Finalmente, quando ordenar ‘À retaguarda’, virar-vos-eis na direcção das vossas costas.”
E as mulheres voltaram a afirmar: “Entendemos.”
Uma vez feitas estas recomendações, informou-as estarem os instrumentos do carrasco a funcionar.
Sun Tzu proferiu as ordens três vezes e explicou-as cinco vezes mais, após o que ordenou ao tambor que rufasse. “Direita volver”. As mulheres escangalharam-se a rir.
Sun Tzu comentou: “Se os regulamentos não são claros e as ordens não são perfeitamente explicadas, a culpa é do comandante.”
Assim, repetiu as ordens mais três vezes e explicou-as mais cinco vezes, após o que fez sinal ao tamborim para que rufasse. “Esquerda volver”. De novo as mulheres rebentaram de riso.
Sun Tzu comentou: “Se as instruções não são claras e os comandos pouco explícitos, a culpa é do comandante. Mas quando foram bem claramente postos e não são executados de acordo com os ditames militares, então o delito é da parte dos oficiais.”
Logo a seguir, ordenou que as mulheres no comando das divisões esquerda e direita fossem decapitadas.
O rei Wu, que do alto do seu terraço assistia aos exercícios, viu que as suas duas queridas concubinas iam ser executadas. Aterrado, enviou a toda a pressa um ajudante-de-campo, com a mensagem seguinte: “Já verifiquei ser o general capaz de lidar com tropas. Sem aquelas duas concubinas, a minha comida perderá o seu sabor. É meu desejo que não sejam executadas.”
Sun Tzu respondeu-lhe: “Este vosso servo foi por vós próprio nomeado comandante-chefe, e quando um comandante-chefe encabeça as suas tropas não é obrigado a obedecer totalmente ao seu soberano.”
Como exemplo, fez levar por diante a sua ordem de decapitação das duas mulheres que haviam comandado as duas divisões e nomeou as duas que se lhes seguiam em categoria como novas comandantes.
Repetiu as ordens através do tamborim e as mulheres viraram à esquerda, à direita, em frente, à retguarda, ajoelharam-se e ergueram-se, todas em total acordo com as instruções que lhes havia dado. Nem sequer ousaram produzir o mais leve ruído.
Sun Tzu enviou nessa altura uma mensagem ao rei informando-o de que “as tropas estão agora em condições. O rei poderá descer e inspeccioná-las. Estão prontas a ser utilizadas de conformidade com os reais desejos, pelo meio do ferro e do fogo, se for preciso”.
O rei Wu respondeu-lhe: “Pode o general voltar ao seu hostal e descansar. Não inspeccionaremos as tropas.”
Ao que Sun Tzu replicou: “O rei apenas aprecia palavras ocas. É incapaz de as pôr em prática.”
 
Sun Tzu in A Arte da Guerra
 
Faço os possíveis por ler os livros que me recomendam, mesmo que o título, que é sempre a primeira janela, seja uma blasfémia… Agora que cheguei ao fim, não quero comentar o livro (fica o texto acima como exemplo…), mas apenas dizer que há amigos (é verdade, tenho amigos com os quais estou quase sempre em desacordo, é a minha forma de exercitar a arte da guerra…) que me surpreendem. Ó Álvaro, nem sequer sei se gostei do livro, foi-me completamente indiferente, não ficou nada, … Se queres que te diga, houve partes em que me lembrei do Valente Soldado Chveik, de J. Hasek (que saudades!...), outras do RDM (não andaste na tropa, mas é uma espécie de manual de boas maneiras…) ou das Citações do Mao, (tão certinhas, tão óbvias,...), e, imagina, do Nuno Rogeiro, na TV, com aquele ar de inteligente a explicar a guerra, qualquer guerra… A única coisa boa é que, como rejeição, desta vez vou arranjar coragem e tempo (à força!), para ler A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón (pelo menos gosto do título…), que está aqui mesmo ao lado há demasiado tempo à minha espera... Um dia destes ofereço-te um livro…
Publicado por Fernando Delgado às 23:53
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