Domingo, 5 de Agosto de 2007

Kundera

“A frase de Chantal ressoava-lhe na cabeça, e ele imaginava a história do seu corpo: estava perdido no meio de milhões de outros corpos até ao dia em que um olhar de desejo poisou sobre ele e o tirou da nebulosa multidão; depois os olhares multiplicaram-se e esbrasearam aquele corpo, que desde então atravessa o mundo como um archote; é o tempo de uma glória luminosa, mas os olhares começarão a rarificar-se em breve e a luz extinguir-se-á a pouco e pouco, até ao dia em que aquele corpo, translúcido, e depois transparente, e depois invisível, passeará pelas ruas como um pequeno nada ambulante. Neste trajecto que vai da primeira invisibilidade à segunda, a frase «os homens já não se voltam por minha causa», é a luz vermelha a indicar que começou a extinção progressiva do corpo.”
 
Milan Kundera in Identidade
(A fotografia foi tirada em Tomar, à margem da festa dos tabuleiros... Neste caso o sítio pouco importa...)
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Publicado por Fernando Delgado às 15:33
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