Sábado, 9 de Junho de 2007

Desmond Morris

 

 “Quando, hoje em dia, lemos os jornais e vemos televisão, ficamos com a ideia de que vivemos numa época brutal e violenta, contudo, esta é uma distorção da verdade quase tão grande como a dos produtores de Wollywood, que nos deram a versão uga-uga e pum-pum dos nossos antepassados primevos. Se tivermos em consideração as taxas populacionais que alcançámos e o índice extremo de sobrepopulação a que agora nos encontramos expostos, somos, na verdade, uma espécie extraordinariamente pacífica e afável. Se duvida, experimente contar os milhares de milhões de seres humanos que acordaram esta manhã e chegaram ao fim do dia sem ter dado um murro a alguém. Felizmente para a nossa espécie, a maior parte das pessoas são assim. Felizmente para os jornalistas dos noticiários, existe uma minoria ínfima entre os 6000 milhões de pessoas que, em raras ocasiões, atira um tijolo ou faz explodir uma bomba (o que, seja como for, é suficiente para preencher o telejornal). Mas nunca podemos esquecer-nos do facto de que a maioria de nós, a maior parte do tempo, está muito mais preocupado com a busca da felicidade do que em perpetrar algum tipo de crueldade.”
 
Desmond Morris in A Natureza da Felicidade
 
… fico com a sensação de que as estatísticas tendem a menosprezar as minorias, as pequenas coisas, o que é residual... O que D. Morris diz é verdade, mas é uma verdade que esconde coisas importantes: um acto, não é um acto num universo de actos, é um valor com potencial desconhecido, que provoca sempre perturbação à sua volta... Por isso, porque provoca perturbação – factor essencial de evolução biológica e social -, vale mais do que o 1 escondido num dos extremos da curva de Gauss… Felizmente este livro tem algumas portas por onde se pode escapar em momentos de leitura que provocam alguma angústia:
 
“Para dar um exemplo pessoal, uma das minhas maiores alegrias é participar numa caçada ao livro. Encontrar um livro raro que desejo ardentemente, após uma longa busca, obtê-lo e levá-lo comigo para casa, é o equivalente simbólico a uma caçada primitiva pela presa. Sim, ainda preciso de caçar porque sou humano; mas não, não tenho de matar um animal selvagem para satisfazer o meu antigo impulso biológico de caça.”
 
idem
 
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Publicado por Fernando Delgado às 02:03
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