Segunda-feira, 4 de Junho de 2007

O Borda d'Água

 

Já não é um jornalito que parece saído de um qualquer offset clandestino, mas ainda mantém sintomas de um parto difícil... Não pesa uns quilos, como alguns jornais de referência da nossa praça, porque tem apenas o essencial: as luas, novas, velhas e assim assim; os dias de plantar bróculos, feijões, tomates, ... e de podar macieiras e ameixeiras, e de semear os nabos, as couves,... tudo o que é verde ou para lá caminha...; depois tem coisas boas e outras menos boas, mas ainda assim boas, escritas em forma de futuro, que como se sabe tem sempre um aspecto redondo, que é a melhor forma de falar do que não se sabe...; às vezes reduz esse futuro a previsões, quase nunca acerta, mas isso não é importante, o importante é mesmo a previsão, que é uma maneira de nos deixar em suspenso até a uma nova previsão...; e tem o juízo final, uma espécie de avaliação, ou de sentença, às vezes dura, muito dura...; é um jornal sobre tudo, para toda a gente, ou como se diz agora um jornal generalista, de grande expansão...
 
(Comprei o Borda d'Água em Coimbra e estava agora a folheá-lo, depois de ouvir a "homilia" do Marcelo R. Sousa, na RTP1 - foi apenas uma coincidência, mas esta referência, aqui, é obviamente intencional!...)
... e depois há conselhos irresistíveis (edição de 2007):
 
“Reutilize a água do banho, entregue para reciclagem do lixo (os óleos dos fritos, em garrafas, no lixo normal), carregue o telemóvel longe de si, apague a luz de presença da televisão e tenha-a ligada só quando a vê, use a manta nas pernas em vez do calorífero, tenha acesa apenas a luz da sala em que está, desloque-se mais a pé e de transportes públicos e melhorará o destino do planeta.”
 
ou ainda,
 
“Quanto à gripe das aves, com o Ministério da Saúde a desperdiçar tanto dinheiro em vacinas prematuras, não se deixa amedrontar com as estatísticas paranóicas de milhares de mortos, ria-se do papão da gripe e imunize-se naturalmente respeitando as leis da vida e da alma sã, respirando ar puro, ou em vapor de água a caruma dos pinheiros e folhas de eucalipto, alfazema e tomilho. Lembre-se mesmo que é melhor ter gripes e febres que são sinais de luta interna e competente contra vírus e bactérias no organismo do que tomar antigripes e antivírus, que nunca servem para toda a gente e que depois o podem incapacitar de reagir, por exemplo, a outros vírus e tumores.”
Publicado por Fernando Delgado às 00:13
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Fernando Delgado

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