Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

Cidades

"(…) Incluía todas as cidades possíveis, excepto a deles, que se tinham tornado opacas, porque as tinham colocado provisoriamente num parênteses da vida. Ignoravam-nas, no tempo intermédio, e só se sentiam vivos a caminho de outras. A vida tornara-se intensa e muito breve, nos intervalos de um longo tempo cor de cinza. (…)

Aeroporto, tinham dito, e o motorista respondera: benissimo. Sem poder imaginar que agora eles partiam para destinos diferentes. (O percurso inverso: tomar um táxi no aeroporto, entrar no hotel, preencher os mesmos formulários, entrar no elevador, chegar ao quarto onde ele a esperava – os braços dele em volta do seu corpo, a sua mão desapertando a blusa, saber que esse momento começara muito antes – esse momento pelo qual já tinham começado a esperar, enquanto partiam.)
Se o amor acabasse, pensaram saindo do táxi com as malas e partilhando ainda o mesmo guarda-chuva antes de partirem para destinos diferentes, se o amor acabasse, todas as cidades se tornariam ilegíveis.”
 
Teolinda Gersão in A mulher que prendeu a chuva e outras histórias
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Publicado por Fernando Delgado às 00:30
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