Sexta-feira, 4 de Maio de 2007

O engenheiro

(Notas para um epitáfio ao engenheiro...)
 
Nota um:
“Eu fingi que estudei engenharia. Vivi na Escócia. Visitei a Irlanda. Meu coração é uma avozinha que anda pedindo esmolas às portas da alegria.”
 
... da biografia de Álvaro de Campos, segundo Fernando Pessoa (... ele próprio)
 
Nota dois:
“Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?
Será essa, se alguém a escrever,
A verdadeira história da humanidade.
 
O que há é só o mundo verdadeiro, não é nós, só o mundo;
O que não há somos nós, e a verdade está aí.
 
Sou quem falhei ser.
Somos todos quem nos supusemos.
A nossa realidade é o que não conseguimos nunca.
 
Que é daquela nossa verdade — o sonho à janela da infância?
Que é daquela nossa certeza — o propósito a mesa de depois?
 
Medito, a cabeça curvada contra as mãos sobrepostas
Sobre o parapeito alto da janela de sacada,
Sentado de lado numa cadeira, depois de jantar.
 
Que é da minha realidade, que só tenho a vida?
Que é de mim, que sou só quem existo?
 
Quantos Césares fui!
 
Na alma, e com alguma verdade;
Na imaginação, e com alguma justiça;
Na inteligência, e com alguma razão —
Meu Deus! meu Deus! meu Deus!
Quantos Césares fui!
Quantos Césares fui!
Quantos Césares fui!"
 
Pecado Original de Álvaro de Campos
Publicado por Fernando Delgado às 00:59
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Fernando Delgado

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