Quinta-feira, 20 de Julho de 2006

Coisas inacabadas

Acontece-me cada vez com mais frequência ler um texto, olhar um quadro... e achar que estão inacabados, incompletos, que falta qualquer coisa... Mas simultaneamente também tenho a certeza que na altura em que foram criados me pareceram completos... O tempo parece, assim, acrescentar algum material à memória, dar-lhe um pouco mais de dimensão, dispor alguns grânulos de outra maneira, de modo que o ontem e o hoje sejam diferentes... De algum modo o presente acaba sempre por troçar do passado, olhá-lo com algum desdém, considerá-lo apenas um traço incerto e vago, muito rudimentar, quase nada...  O que é dramático é verificar que, para as coisas essenciais, este acréscimo de conhecimento (será?) é perfeitamente inútil - retocar o texto ou a pintura, seria tão desastroso como acrescentar ou retirar uma palavra a qualquer conversa de ontem ou retocar o pôr do sol desta tarde...

Parece assim que a busca de uma qualquer perfeição - signifique isto o que significar... - é feita a partir de correções de imperfeiçõs sucessivas, detectadas a qualquer olhar sobre o ontem que se repete a cada dia... Não vale a pena tão grande e inútil esforço - é sempre preferível começar de novo!

Publicado por Fernando Delgado às 00:19
| Comentar post
Patilhar
Fernando Delgado

Pesquisar

 

Posts recentes

Assimetrias

J. Fanha

Eduardo Mendoza

«o pregador de verdades d...

Belos dias

A Gente Vai Continuar

Talamou

Dylon

«A realidade é uma opiniã...

«Human»

Outono

MEC sobre Trump

À espera de Godot

De Niro, sem maquilhagem

Guterres

Arturo Pérez-Reverte

Achamentos na Costa Vicen...

(Gente) sinistro(a)

«Someday this war's gonna...

BREXIT (adenda)

Brexit

Carla Bley

A Seiva da Raíz

Regresso à «Tabacaria»

Abril

Tags

aprender

canções

estórias

interiores

leituras

notícias do casino

outros olhares

peanuts

pintura

rural

todas as tags

Arquivos