Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2005

Os Três Mosqueteiros

A história de Alexandre Dumas - Os três Mosqueteiros - pode resumir-se assim: Em 1625, D’Artagnan, um jovem fidalgo com aspirações a mosqueteiro, chega a Paris e inadvertidamente ofende três mosqueteiros, Porthos, Athos e Aramis, o que o leva a envolver-se num empolgante duelo. No entanto, mal este começa, os quatro são atacados por guardas do Cardeal. A bravura demonstrada por D’Artagnan leva-o à amizade com os mosqueteiros e, em breve, a perigosas aventuras por terras de França e Inglaterra, com o objectivo de deitarem por terra os planos do Cardeal Richelieu e sua temível espia Milady. "Um por todos e todos por um" será então o lema destes quatro bravos heróis que juntos irão lutar corajosamente pela justiça, honra e defesa da coroa!
  
Mas há uma outra história, julgo que contada por J. L. Godard, num filme de que não me recordo o título..., não sei sequer se é de Godard... (a minha memória tem já zonas de penumbra), mas como se costuma dizer: as palavras não são minhas, roubei-as não sei onde, mas sei para que as quero! A história é mais ou menos assim: Porthos, o (mais) bruto dos três mosqueteiros, era o especialista do grupo em detonações. Usava pólvora preta, doseava bem a carga e calculava ainda melhor o tempo de espera do detonador. Acendia o rastilho e afastava-se calmamente para um lugar seguro. Fez isto centenas de vezes, com êxito. Certo dia, depois de acender o rastilho e começar a afastar-se, vá lá saber-se porquê, olhou para os pés e descobriu que caminhava porque um pé ia para a frente, enquanto o outro ficava para trás..., depois o de trás ia para a frente, enquanto o da frente ficava para trás..., isto é, descobriu que caminhar resulta de uma situação de desequilibro. Parou estupefacto a olhar para os pés, lado a lado, agora em equilibrio... Já com a bomba a detonar e a montanha a cair-lhe em cima, ainda teve tempo de articular umas palavras já moribundas: “porra, a instabilidade é a única coisa que nos mantém vivos!”
 
(Suspeito que Milady, por entre lágrimas, terá dito: “a primeira vez que pensou, morreu!”)
Publicado por Fernando Delgado às 01:19
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