Quarta-feira, 2 de Fevereiro de 2005

A. Barreto e I. Ramonet

"A minha Pátria é uma conta bancária"
Título de uma crónica de António Barreto (Público de 20.06.1999 e republicação em Uma Década 1991-1999)
 
"Arruinado pelo cataclismo das Bolsas de Valores de 1987, um pequeno investidor enforcou-se alguns dias mais tarde, num jardim público de Madrid. Para explicar o seu gesto, o desesperado deixou uma carta na qual denunciava os abusos e o canibalismo dos agentes de cãmbio da Bolsa em relacção aos pequenos aforradores. Contava, igualmente, como tinha aceite o último prazo, depois de ter decidido suicidar-se, e tinha escolhido submeter-se, de alguma forma, ao julgamento de Deus: "Tive uma espécie de iluminação de que Deus existia e que, talvez, o meu destino não fosse o suicídio". Reservou assim o resto das suas economias para comprar bilhetes de lotaria e jogar no loto. "Para ver se Deus contribuía para resolver a minha situação". Mas o céu permaneceu desesperadamente silencioso, a sorte não lhe sorriu e, por fim, o homem enforcou-se. (...)Nas sociedades neo-liberais que elegeram como emblema o slogan "que o melhor ganhe", cada um procura provar a si mesmo, para além das suas contingências sociais objectivas, que pode ser um ganhador, uma personalidade combativa." (...)
 
Ignacio Ramonet in "Geopolítica do Caos"
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Publicado por Fernando Delgado às 02:02
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