Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011

Adelino Maltez

(Não gosto da confrontação entre o desgraçado que comeu o pão que o diabo amassou e o privilegiado que nem consegue imaginar o ardor desse pão... As coisas na realidade não funcionam assim, e mesmo que aparentemente por vezes funcionem nunca se traduzem nesta dicotomia moral. Reconheço, no entanto, que algum do pão tem um pouco deste diabo no azedo sabor da massa crua, evocando cobardemente que "não temos heroicidade na memória do sofrimento, pelo que não há condições para adequada libertação". Só por isto vale a pena citar este post.)

 

«A grande originalidade dos portugueses actuais face à maioria dos colegas da UE é que não temos heroicidade na memória do sofrimento, pelo que não há condições para adequada libertação. Não resistimos aos soviéticos nem as nazis, não tivemos guerras civis e a última memória viva como povo em sofrimento, ou é minoritária, a dos antifascistas, ou foi passada em territórios de além-mar, caso dos soldados. O que temos de prosperidade não foi conquistado existencialmente, veio do voto útil. Reaprender a conquistar a vida vai ser doloroso para uma maioria sociológica, treinada para a cobardia.»

 

José Adelino Maltez. Folhas do meu cadastro.

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Publicado por Fernando Delgado às 22:28
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