Terça-feira, 13 de Setembro de 2011

Triste fado

(O que o Miguel diz parece tão óbvio que até me espanta ele dizê-lo. Este triste fado um dia acaba mal, mesmo que pareça um despropositado conjunto de actos de uma comédia à portuguesa, antes da previsível tragédia grega…)

 

«[…]

Lembro-me de uma coisa que ele disse e que eu fiquei…, fiquei assim um bocadinho, nem sei como definir… Disse uma frase: quando eu for primeiro-ministro. Eu fiquei a pensar na possibilidade e realmente lembro-me que houve um director do Público que uma vez escreveu: Durão Barroso jamais chegará a 1º ministro de Portugal. Muita gente pensava o mesmo na altura, e ele não só chegou a 1º ministro como chegou a presidente da União Europeia. Aliás, até nos abandonou como 1º ministro para ir para presidente da União Europeia. Quando ele fugiu, eu estava fora de Portugal e telefonaram-me a dizer que Jorge Sampaio tinha nomeado Pedro Santana Lopes para 1º ministro. Eu também achei que não era possível, achei que não era mesmo possível. Depois disso apareceu o Pedro Passos Coelho e eu também achei que não era possível. Mas quem é Pedro Passos Coelho, o país não sabe, andou na JSD, anda aí…, vamos usar a expressão: anda aí a cacicar o partido, ninguém sabe mais nada dele, pronto. Chegou a 1º ministro. E António José Seguro seguiu o mesmo percurso de Pedro Passos Coelho, não só na JS como também no caciquismo das bases do partido. E por isso ele chega ali sem que ninguém lhe conheça uma ideia, um projecto, uma causa…, diz que está em nome de causas, eu não conheço nenhuma.

[…]

Acho que ele não tem substância nem estilo para fazer política. Faz-me uma enorme impressão pensar que o PS, que é um dos partidos fundadores da democracia portuguesa, que já teve à sua frente gente com a categoria de um Mário Soares, um Jorge Sampaio, um António Guterres, tenha chegado ao António José Seguro. Faz-me a maior impressão. E eu acho que de certa forma temos que começar a meditar como se formam políticos em Portugal, nomeadamente como é que eles chegam ao topo.

[…]»

Miguel Sousa Tavares. Comentários no Jornal da Noite, SIC. Transcrição do vídeo.

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Publicado por Fernando Delgado às 00:34
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