Quinta-feira, 16 de Junho de 2011

Contas

(Não sei se é mesmo assim, mas que parece retirado de um manual de casino, lá isso parece…)

 

«[…]

Ou seja, como funcionam os bancos.

A Ana deposita mil euros no BPX, que fica com um passivo de 1.000€, que deve à Ana, e um activo de 1.000€, dinheiro esse que pode emprestar. Não todo, porque se exige dos bancos que guardem um mínimo em reserva. Cá em Portugal é de cerca de 8% mas arredondo para 10% para simplificar as contas. Assim, dos €1.000 da Ana o BPX pode emprestar €900 ao Bruno, guardando €100 de reserva. O activo continua a ser de €1.000 porque o dinheiro que o Bruno deve ao BPX conta como dinheiro do BPX. O Bruno compra coisas à Carla, que deposita €900 no BPY. Este banco empresta €810 ao David, guardando €90 de reserva, e o David paga algo à Eva, que deposita o dinheiro. E assim por diante. Desta forma, os bancos transformam os €1.000 da Ana em quase €10.000 de dinheiro depositado mais €9.000 em dívidas a juros. Os €1.000 iniciais podem ter sido impressos em nome de algum Estado, mas todo o resto foi inventado pelos bancos.

E não ficam por aqui. Agora o Zacarias quer pedir dinheiro ao BPX, mas este banco já emprestou tudo o que podia. Para poder emprestar mais, o BPX pede dinheiro ao banco central, que empresta aos bancos a juros muito mais baixos do que estes cobram aos Zacarias. Mas o banco central exige garantias. Por isso o BPX contrata uma agência de rating que diz ao banco central que o empréstimo ao Bruno tem uma data de As e é seguro. Desta forma, dando como garantia o dinheiro que já tinha emprestado, o BPX obtém mais dinheiro para emprestar a juros. O banco central, sendo um banco especial, pode emprestar o dinheiro que for preciso desde que lhe dêem estas “garantias”. Isto parece surreal, mas é mesmo assim. E, volta e meia, dá asneira.

Se o dinheiro fosse um conjunto de papeis impressos pelo Estado podia desvalorizar mas não podia desaparecer. Algures teria de ir parar. Só que a maior parte do dinheiro em circulação é um conjunto de dívidas e apostas, com “garantias” que também são dívidas e apostas, num entrelaçado fictício seguro apenas na expectativa de um valor futuro. Assim que se admite que certas dívidas não podem ser pagas, esse dinheiro desaparece. Tem acontecido regularmente. Formam-se bolhas especulativas de promessas e apostas que rebentam e levam com elas enormes quantias de dinheiro que simplesmente deixa de existir. Neste momento, o Banco Central Europeu tem 740 mil milhões de euros em garantias da treta para o dinheiro que emprestou aos bancos comerciais na União Europeia. O tipo de coisas que serve de garantia inclui, por exemplo, títulos de dívida pública portuguesa de 1943 que vencem no dia 31 de Dezembro de 9999. Esses 740 mil milhões de euros só têm valor enquanto todos estiverem convencidos de que essas promessas vão ser cumpridas. Daí o cagaço da reestruturação.

[…]»

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Publicado por Fernando Delgado às 00:04
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