Domingo, 13 de Março de 2011

"Geração à rasca"

(Foto da internet)

 

Depois de ouvir e ler dezenas de comentários sobre a manifestação da geração à rasca, confesso um enorme desconforto face a alguns comentadores mais ou menos conhecidos.

Importa-me muito pouco que alguns desses comentários tenham algum fundamento, simplesmente porque partem do pressuposto de que qualquer acção está, ou devia estar, sempre associada à razão. E não é verdade. Agir depende da vontade, individual ou colectiva. A razão resulta de um processo de depuração de pormenores. A razão é o futuro que olhará este presente, isto é, é relativamente inútil no momento de formação da vontade de agir, sobretudo quando se trata de grupos heterogéneos, dificilmente catalogáveis…

Sejamos claros: importante, não é saber o que realmente querem ou não querem estes manifestantes; importante não é saber se a sua acção, a sua vontade de sair à rua, resultou de um processo político concertado; importante não é saber quem está por detrás desta manifestação; importante não é catalogar estes milhares de pessoas… Importante é reconhecer que existe gente, muita gente, disposta a agir, a sair para a rua e dizer o que lhe vai na alma…

É tão bom ouvir alguém dizer “eu existo, estou aqui!”. Porquê esta aversão dos comentadores a quem simplesmente não se conforma? Ainda por cima de uma forma pacífica, exemplarmente pacífica e democrática. É por não apresentarem alternativas ou soluções? Mas, ó génios palradores bem pagos, vocês têm alternativas ou soluções?

Acho que a maioria dos comentadores das “nossas” televisões está irremediavelmente velha. E burguesa, no sentido ideológico que esta expressão tinha nos tempos em que também iam a manifestações, sem apresentarem alternativas ou soluções, como é bom de ver…

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Publicado por Fernando Delgado às 23:24
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