Terça-feira, 9 de Novembro de 2010

Livrinhos

«Um querido amigo meu, que há muito não tinha o prazer de rever, desafiou-me a escrever histórias do passado, ocorridas comigo e com personalidades nacionais e estrangeiras dignas de destaque, bem como me exortou ainda a narrar factos importantes por mim vividos.

 

Confessei-lhe que já há muito me ocorrera semelhante pensamento, mas logo o abandonei por diversas razões. A primeira, é uma rejeição muito pessoal desse tipo de escrita, talvez inspirada, desde muito jovem ainda, por uma frase de Pittigrilli que nunca esqueci: aquele que escreve memórias é como um fulano que se assoa e depois olha para o lenço, antes de dobrar e guardar no bolso.

[…]

Numa terra sem memória e cada vez mais à mercê de gente pouco séria que à memória exacta da verdade prefere a vaga ideia da mentira, é melhor não nos metermos nisso de recordações, a não ser aqueles destinadas aos filhos e netos estremecidos e amigos de confiança. De outra maneira, corremos igualmente o risco de parecermos um desses aldrabões de feira que nos contam o que mais lhes convém ou aquilo que os torna engraçados, e perder-nos nessa interminável multidão de cães e gatos que são autores. Ou, hoje em dia, conhecem algum cão ou gato que não tenha escrito um livrinho?»

 

Joaquim Letria. Ler texto integral, aqui.

Tags:
Publicado por Fernando Delgado às 01:09
| Comentar post
Patilhar
Fernando Delgado

Pesquisar

 

Posts recentes

mapas rurais

Ajustando as velas

Contrastes

Religiões

Negro profundo

«Ninguém desce vivo de um...

Recomeços

«Custo social dos incêndi...

Sinais

Recoleção

Domesticação...

"geografia das ausências"

Galerias ripícolas

do res nulius ao black ac...

A case of you

Assimetrias

J. Fanha

Eduardo Mendoza

«o pregador de verdades d...

Belos dias

A Gente Vai Continuar

Talamou

Dylon

«A realidade é uma opiniã...

«Human»

Tags

aprender

canções

estórias

interiores

leituras

notícias do casino

outros olhares

peanuts

pintura

rural

todas as tags

Arquivos