Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010

Leituras de fim de semana

(Três propostas de leitura e um cartoon corrosivo, no Expresso desta semana)

 

1. A Lenda da Vida Eterna e Boa. Miguel Sousa Tavares.

«Todos os dias somos confrontados com notícias alertando-nos para os perigos de uma qualquer doença – se não é o coração é a diabetes; se não é a diabetes é o fígado; se não é fígado é o Alzheimer; se não é o Alzheimer são os pulmões ou a hipertensão. É raro o dia, aliás, que não é dia internacional de uma doença – pretexto para reunir um congresso e para a respectiva associação dos clínicos da especialidade entupirem os jornais com press-releases sobre esses congressos e os perigos da doença em causa. Basta ler as notícias dos nossos jornais durante, digamos, uns três meses, para verificarmos uma curiosa estatística: dois milhões de portugueses sofrem disto, três milhões sofrem daquilo, um milhão e meio sofre disto, dois milhões sofrem daquilo, etc., e por aí fora. A fazer fé nas notícias, ou a nossa população triplicou subitamente sem darmos por isso ou não há um só português saudável e muitos acumulam duas ou três doenças letais. Já sabemos que estar vivo é, só por si, uma perigosa doença, cujo desfecho há-de ser necessariamente fatal. Mas este perigo transforma-se num pretexto para uma continuada ofensiva terrorista, com objectivos muito pouco humanitários. Aterrorizar os vivos e mantê-los vivos e aterrorizados até ao limite do absurdo é o mais promissor ramo de negócio do século XXI. […]»

 

2. Como sabem, a culpa é… da oposição. Henrique Monteiro

«[…] Relativizar ou fazer cálculos políticos sobre o que o Governo francês desencadeou não é admissível. Há coisas com que, de facto, não se brinca e esta é uma delas. A sociedade não pode fingir que não percebe quando governos se dispõem a ganhar votos e popularidade à custa de um povo ou de uma etnia.

É preciso conhecer o lado negro da História. Em tempos de crise, a maioria das pessoas, apesar de apelos de conservadores, socialistas, Comissão Europeia e Vaticano, opta pelos seus interesses mesquinhos e não por valores e princípios…

A desumanidade que determina ser um cigano qualquer igual ao cigano que rouba, que pilha ou que contrabandeia não anda longe, como disse a comissária Reding, dos princípios do Holocausto. Eis-nos tão parecidos com os europeus que começaram por não ver nada de mal num alemão de bigodinho, há 77 anos.»

  

3. Energia e Infraestruturas. Indústria Eólica. Suplemento de Economia. 

Uma torre de 2 MW, com 100 m de altura, suporta um peso, no topo, de 113.0 toneladas:

  • 25.5 toneladas das três pás, cada uma com 45.2 metros
  • 69.0 toneladas da Nacet com 15 metros (componente que alberga o gerador)
  • 18.5 toneladas do Hub (espécie de coroa onde se encaixam as pás)

A energia gerada é suficiente para 1700 casas e todo o sistema é gerido por controlo remoto: a partir do Centro de Telecondução e Despacho, no Porto, é possível ver ao segundo o que está a acontecer em cada um dos aerogeradores. Além da detecção remota de problemas, o sistema permite resolver muitos deles à distância.

 

 4.O Cartoon de António 

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Publicado por Fernando Delgado às 00:15
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