Sábado, 11 de Setembro de 2010

O peso de Júpiter

(Sei que a Ciência recorre quase obsessivamente a métodos indirectos para revelar alguns dos segredos do mundo. Apesar disso, afirmar que o planeta x pesa y milhões de toneladas, sempre me pareceu mais uma estimativa do que qualquer outra coisa. Afinal não é assim – o peso ou a massa estão correctos, quase obscenamente correctos. Tão certinho que se lhe pusermos uma pena em cima, tudo vai oscilar… Este rigor em coisas desmesuradamente grandes e afastadas (Vénus ou Júpiter ficam aqui, ali ou além?) não escaparia a qualquer análise de custo/beneficio, descartável em qualquer actividade terrena. Também por isso, gosto dos cientistas e investigadores – eles acabam por ser os últimos seres sonhadores deste mundo…)

 

«Se o leitor tem o hábito de olhar para o céu nocturno após o por do Sol (…) A oeste, vê-se Vénus descer lentamente para o horizonte. A leste, vê-se Júpiter levantar-se. (…)

  

Ambos estão a grande distância da Terra. Nenhum ser humano os observou de perto. No entanto, sabemos muito sobre eles sem precisar de os alcançar. Sabemos, por exemplo, a sua massa. Segundo um novo método ontem publicado por um grupo de astrónomos (…), conseguimos medir a massa de Júpiter com um erro inferior a uma parte em dez milhões. É uma precisão impressionante que envergonha as nossas balanças. Se o leitor, imaginando que tem cerca de 70 quilogramas, quisesse medir o seu peso com precisão equivalente, teria de comprar uma balança que fosse sensível ao peso de um pequeno grão de açúcar. Quer dizer: os astrónomos conhecem a quantidade de matéria de Júpiter com maior precisão do que o leitor conhece a sua.

  

O novo método baseia-se numa ideia surpreendente. Os astrónomos usaram um dos relógios naturais mais precisos que se conhece: os pulsares.

[…]»

  

Nuno Crato in O Peso de Júpiter, e o Seu. Ler texto integral no Expresso, de 11 de Setembro de 2010.

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Publicado por Fernando Delgado às 22:54
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